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quarta-feira, outubro 05, 2005

Impunidades

Ouvi hoje a Dra. Maria José Morgado dizer que o resultado do julgamento de Fátima Felgueiras está condicionado à absolvição: "a senhora entra quando quer, diz o que quer e provavelmente será julgada como quer" afirma a mui douta magistrada. Ora estamos num país livre e nada mais normal do que comentar a actualidade.
Passadas umas horas, estava a jogar PSP na cagadeira quando fui atingido por uma fulminante revelação. Era como se Deus tivesse entrado naquela casa de banho, ignorado o fedor e me falado ao ouvido. Hirto pelo choque, exclamei: "Mas será que eu sou a única pessoa deste país a perceber que a GAJA É PROCURADORA-GERAL ADJUNTA???" E talvez seja. Só assim se compreende que a senhora possa disparar em todas as direcções, descredibilizar quando quer o sistema judicial, cometer inconfidências a torto e a direito sobre processos, armar-se em Gabriel Alves dos processos mediáticos (e tal como ele só dizer intelectualidades) e passear-se pelos mais altos cargos da justiça em Portugal, isto com cobertura mediática e sem qualquer contraponto de onde quer que ele venha... A outra teoria, obviamente absurda, é que toda a gente na classe política tem medo dela e do marido, porque ambos representam forças muito persuasivas deste país. Esta teoria não tem pés na cabeça e só um doido é que se lembraria de a inventar (porque ainda levaria com um processo em cima, ou com uma bala, nunca se sabe).
Ora a Dona Zeza a falar da Fátima Felgueiras e da sua impunidade. Aposto que se todos fizermos um esforço muito grande, conseguimos ver outras mulheres deste país a agir com uma impunidade muito maior, com a capacidade de levantar livremente boatos inconsequentes e arrastar nomes na lama com suspeitas mais ou menos objectivas. E aposto mais. Aposto que num país decente (e obviamente que a Portugal nada resta mais do que reminscências dessa qualidade) qualquer dirigente com as responsabilidades de um Procurador-Geral Adjunto ou estaria calado sobre processos ou receberia uns patins novos e oleados no princípio do novo mês. E o pior é que eu devo ser o único a apostar nisso. A normalidade em Portugal parece ter tomado conta do insólito. Já nada espanta ninguém: um ministro a afirmar que existe uma conspiração entre dois jornais de referência e um comentador político, um primeiro-ministo mandar recados ao seu partido numa cerimónia oficial e agora uma magistrada do MP a lançar farpas nos processos e ela mesma a condicionar decisões.Mas há limítes. Um juíz pode fazer o que quer porque o CSM (já não sei bem se é Conselho Superior de Magistratura ou Conselho Superior Maçónico, confundo sempre - aceitam-se correcções para o mail deste blog) nunca considera ninguem corrupto ou negligente. Mas juízes há muitos, é como os chapéus. Agora Procuradores já há menos. E Procuradores-Gerais então? Disseram-me que há só um. Isto num país civilizado era caso para pelotão de fuzilamento. Ou mesmo para mandar o condenado no último comboio de sexta à noite na linha de Sintra. Mas em Portugal não. Há como um nevoeiro de normalidade, em que o espanto não perdura nem serve de lição. Por este andar, qualquer dia (mais uma ideia estúpida!) ainda temos presidentes de governos regionais a chamar filhos da puta a indivíduos na comunicação social. Não pode ser!

É verdade que a Fátima Felgueiras irá muito provavelmente ter o julgamento que quer. Mas eu posso dizer isso Zézinha. Tu não.

1 Comments:

Blogger Guedes said...

Tens razao.

Os efeitos positivos que um jogo de PSP pode ter numa pessoa...

11:52 da tarde  

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