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sábado, janeiro 21, 2006

Em quem votar?

Terminou há momentos a campanha e eu já sei em quem vou votar.

Para que fique bem claro, vou votar em Manuel Alegre. Prefiro dar o meu voto à esquerda política, com a qual me identifico mais do que com a direita burguesa e elitista. Mas mais do que dar o voto à esquerda, dou o meu voto ao homem que me safou da possibilidade de, pela primeira vez em doze anos, ser considerado, ainda que pontualmente, uma estatística do eleitorado de direita.

Vamos por partes e por candidatos

Mário Soares - Jamais votaria nele. Sempre que o vejo falar, e este é um sentimento há muito entranhado, não consigo acreditar numa só palavra. Acho-o um enganador, um chico-esperto, que soube aproveitar muito bem a empatia que criou junto dos menos instruídos à pála do 25 de Abril. Se a eleição fosse entre ele e o Prof. Alexandrino, num mano a mano, eu até fazia campanha pelo firme e hirto. Aconselho-o vivamente a calçar umas pantufas e a enrolar-se numa mantinha. Pobre escolha a de Sócrates... e calculo como ele deve estar arrependido.
Podem não ver uma única razão válida para dizer que não voto no homem mas eu confesso que também não encontro nenhuma para lhe dar o meu voto. Até aquela história de que ele fala de que o governo de Cavaco foi isto e aquilo eu só pergunto: E quem era o PR na altura? Pois, se na altura não fez nada agora iria contradizer o homem que lhe possibilitou mais uma bela dose de adrenalina?

Francisco Louçã - Sabe tanto de marketing que gostava de ser irmão siamês de todas câmeras e microfones deste mundo. Já teve o que que pretendia: tempo de antena. Vai ficar atrás de Jerónimo e, digo eu, ainda bem. Belo debate com Cavaco Silva. Um pouco menos de agressividade e a coisa tinha saído perfeita.

Jerónimo Louçã - Não sou comunista e, muito sinceramente, ele também não deve ser. Adoro os seus rasgos, os seus golpes de asa que transformam incidentes em momentos capitalizáveis em votos. Aquela cara, aquele sorriso, não podem ser de um comunista. Admiro a maneira cativante como se expressa. Abro uma garrafa de champanhe se ficar à frente de Mário Soares.

Cavaco Silva - É, sem dúvida nenhuma, o candidato com mais perfil de PR. É polido, educado, não baixa o nível, trata por tu muitos políticos importantes na esfera europeia e mundial, sabe de economia e, por último, tem facilidade em línguas. Não tem o meu voto porque Alegre se candidatou e também porque o seu ar sisudo perspectiva a possibilidade de por trás daquela cara estar um ditador de meia-tigela do estilo "eu raramente tenho dúvidas e nunca me engano". Corre o risco sério de ver a história repetir-se 10 e 20 anos depois. Nos históricos confrontos a dois entre esquerda e direita, Soares e Sampaio levaram a melhor sobre Freitas e... Cavaco.

Manuel Alegre - Tem o meu voto, como já disse. A sua, actual, não ligação partidária, o romantismo com que tem estado na vida, os seus poemas e o duelo com Mário Soares são os pontos a favor. Mas há coisa más. Por exemplo, como pode Manuel Alegre atacar agora o sistema se ele foi o sistema durante 30 anos? Como pode Manuel Alegre por em causa situações que passaram na Assembleia da República com o seu voto? Há muita coisa mal explicada, mas o seu ar de pessoa séria e ternurenta fez-me decidir. Será engraçado vê-lo em Belém na habitual reunião das terças com José Sócrates. Muito engraçado mesmo, tão engraçado como o seu provável regresso ao parlamento depois de amanhã. Nunca será um PR com uma imagem para ultrapassar fronteiras.

O meu palpite - Cavaco ganha à primeira com pouco mais de 50%.

O que eu espero - A segunda volta com Cavaco e Alegre e ver Sócrates confessar o seu apoio a Alegre.

PS - Não falo de Garcia Pereira porque não falo do que não existe

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Foi por uma unha negra... fica para a próxima.
Abraço
CM

7:23 da tarde  

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