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domingo, outubro 01, 2006

A ordem dos jornalistas e o mau jornalismo

Nove da manhã. As câmaras de televisão passeiam-se pelas portas de um qualquer centro de saúde, mostrando uma fila infindável de pessoas de ar frustrado, velhos e novos, com senhas na mão. Algumas trazem crianças pelo colo. A pseudo-jornalista procura a pessoa com o ar mais revoltado e ataca: “Sabia desta greve?”. Segue-se o habitual rol de críticas, cuidadosamente registadas para passar no jornal da uma. Este ritual repete-se de meses a meses, em hospitais, escolas, transportes públicos. Sempre que há uma greve a TV está lá, os jornais noticiam, a rádio dá voz às queixas. É difícil não me lembrar de uma greve importante que não tenha sido visionada, registada, discutida. À posteriori. Os mesmos que, como aves carniceiras vão às seis da manhã para os centros de saúde entrevistar velhotes revoltados são os que no dia anterior se esquecem de noticiar a greve, numa clara manobra para aumentar o seu impacto. Anunciar a greve não dá peças para o dia seguinte, esquecê-la, com sorte, ainda dá uma história de uma consequência grave.

Este é um dos exemplos do jornalismo que possuímos actualmente. Numa idade em que a informação é entretenimento, sobretudo um subproduto de uma cultura de influência que vive pelo lucro, já não há muitos bons exemplos de bom jornalismo e bons jornalistas.

Isto leva-nos à questão da ordem. Informação é poder. Este chavão faz cada vez mais sentido nos dias de hoje. Há claramente jornais de esquerda e de direita, jornalistas com uma ou outra filiação política, doutrinária, sexual. E depois há o grande motor da informação, os estagiários. Metade nem falar sabe, saídos da escola com um curso de comunicação social ou de jornalismo, que vale tanto para a profissão como saber limpar sanitas. A outra metade até escreve benzinho, mas é rapidamente integrada numa das muitas “esferas” das redacções. Resultado, em 100 gajos safa-se um. Os outros são parte integrante e contribuem para o grande lixo. A maioria está ilegal. Mas também pouco importa porque a carteira só serve para pedir acreditação em eventos e ter antivírus à borla, para a perder é preciso uma echatombe.

Com os estagiários, mas também com os preguiçosos, pouco criativos e muito acomodados jornalistas do quadro vem a questão da ignorância e da preguicite aguda em investigar um bocadinho sobre aquilo que se vai falar. São enganados, falam do que não sabem, prestam um mau serviço. Um amigo meu, árbitro de futebol nas categorias inferiores, disse-me que um dia a federação tinha organizado em Lisboa um seminário para jornalistas desportivos, a explicar as muitas alterações às regras e às formas de arbitrar. Não apareceu nem um. Quando falam de tecnologias rio-me, quando falam de justiça choro porque aí a estupidez é mais consequente. Como aquela dos “calabouços da Judiciária” que um inspector da PJ me disse “aquilo nem tem nada a ver connosco, só fica no edifício ao lado. Nem nos deixam lá estacionar o carro”. Por facilitismo mas por muito laxismo as coisas não são bem ditas, as informações ficam mal dadas, o público que de alguma maneira está a pagar é prejudicado. Mas infelizmente a estupidez e o mau serviço não são causa para perder a carteira ou ter alguma sanção importante.

Que mecanismos existem para controlar a informação em Portugal? A AACS? Quando a RTP2 esteve para fechar e magicamente surgiam notícias contra o governo, umas atrás das outras, onde estava ela? Quando não são respeitados os princípios de imparcialidade na informação, que medidas são habitualmente tomadas? Mais grave do que a ignorância geral que grassa em 95% dos jornalistas portugueses (e estou a ser generoso) é o facciosismo que graça em diversos quadrantes. Ainda hoje vi uma reportagem na SIC, feita por um mariconso qualquer da opus dei, que mandava abaixo um livro que defende a tese de assassínio do papa João Paulo I. Não sei se é verdade ou mentira, mas sei que o jornalista a cobrir o evento, com evidentes laços à igreja católica como demonstrado em inúmeras reportagens anteriores nessa área, não devia insinuar que se trata de uma manobra propagandística, um livro baseado em factos não verificados para aproveitar “os códigos da moda”.

E tantos exemplos há. Nem vale a pena irmos para a “imprensa” cor-de-rosa, que nem devia estar registada como tal, que mente semanalmente com o descaramento e impunidade do mundo de papel que relata. Se ao menos tivéssemos uma ordem que pudesse punir e responsabilizar os maus jornalistas pelo mau trabalho, poderíamos ter um desemprego enorme na classe, mas certamente que o país ganhava. É que informação é poder, já o sabemos. Mas hoje em dia, “informação” é para muitos o que têm de mais parecido com “instrução”.

PS: Ao menos nisto não somos especialmente inovadores, nem nos destacamos pela negativa. Alias, ainda não chegamos à excelência manipuladora da Fox ou da ABC. Mas para lá caminhamos.

3 Comments:

Blogger Guedes said...

Perante tamanho ataque aos jornalistas portugueses – algumas vezes com razão –, não te vou responder ponto por ponto. Apenas darei um pequeno resumo da minha opinião sobre os profissionais da área.

Em média, são preguiçosos.
Em média, são muito mal pagos.
Em média, falta-lhes condições para desenvolverem um bom trabalho.
Em média, têm falta de criatividade.
Em média, não saem da cadeira.
Em média, fazem o básico para preencher os caracteres ou espaço temporal necessários.
Em média, são maus, mas quem lhes paga não merece mais e devia optar por abrir uma fábrica de papel liso.

PS. Escrevi sempre em média, porque conheço muitas excepções.

12:05 da manhã  
Anonymous Guedes said...

Meu bixin, liga pra ele não...

5:40 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

SIC neste momento ta em saldo, digo nao tem dinheiro. Vai despedir gentalha que amandoua estacao para a falencia, vao dar-lhe quilos de euricus par os porem na rua! ONDE ESTA ESTA NOTICIA DE FALENCIA TECNICA DA sic, NOS XAMADUS ORGAOS DE COMUNICAXAO? e xo para os outros. ?

11:35 da manhã  

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