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terça-feira, março 21, 2006

Açucar e os outros

Dormir, trabalhar e estar em frente a um écran de computador. Por alto, julgo serem estas as actividades em que perco mais tempo no meu dia-a-dia. Quer isto dizer que é aquilo que mais gosto de fazer? Obviamente, NÃO!
O jornal Metro de ontem garantia na capa: «Crianças preferem açucar, TV e internet». Ao longo de todo o texto, não consegui perceber se o inquérito citado perguntava aquilo de que os putos gostavam mais ou apenas as actividades em que ocupavam mais tempo. No entanto, inclino-me para a segunda opção.
Se fosse pai e visse a notícia, ficava muito contente: «Sou mesmo um tipo porreiro. Afinal, ter o puto em frente à TV ou ao computador não é apenas a opção mais fácil, mas também aquilo que ele realmente quer».

Actualmente, tenho três primos pequenos na família, com idades entre os 3 e 6 anos. Por vezes, ao fim-de-semana, viro baby-sitter. Não fosse o facto de o puto carregar insistententemente no botão 7 do comando da televisão para ver o Panda e seus respectivos programas tipo Noddy, até seria uma experiência agradável. Qual namorada ou mulher, quando a vontade não é feita (ou negociada), a birra é inevitável.
Quer isto dizer que o meu primo não larga a televisão por nada deste mundo? NÃO! Basta acenar-lhe com uma bola ou a cadeira para pôr no carro e levá-lo ao jardim para correr, apanhar sol ou andar nos baloiços, para se levantar logo do sofá.
Como disse um grande pensador russo do Estádio da Luz (Karyaka), Lisboa é uma «aldeia grande, onde as crianças não têm um jardim para brincar à vontade. O passatempo dos miúdos é ver televisão». E será porque gostam? Estou convencido que não.
É verdade que também eu passei horas em frente à TV quando era puto. A ver o Dartacão, o Bocas, o Agora Escolha, as Tartarugas Ninja e sei lá mais que programas de que realmente gostava. Mas não é isso de que me lembro quando penso na minha infância. Recordo-me das tardes à pesca com o meu avô e das crostas nos joelhos que nem tinham tempo para sarar, pois rapidamente voltavam a abrir no asfalto de uma rua perto de casa. Façam a experiência: olhem para as pernas dos miúdos de hoje.

PS. O «açucar» do título no Metro refere-se à série Morangos com Açucar.

4 Comments:

Blogger Leididi said...

Agora que penso nisso, também eu passei horas perdidas em frente à TV a ver tudo quanto era séries e desenhos animados, e tb eu, quando me lembro da infâcia, recordo a minha avó a pôr água oxigenada nas feridas dos meus joelhos (que nunca saravam) e os passeios pelo campo com o meu avô.

12:30 da tarde  
Blogger Guedes said...

Bem me parecia que não era o único. A água oxigenada também era uma constante nas minhas pernas - às vezes álcool... Há anos que não vejo uma garrafinha dessas.

12:52 da tarde  
Blogger Leididi said...

A minha avó era só água oxigenada e mercúrio-cromo, daquele cor-de-rosa.
Não vês garrafinhas de alcool há muito tempo?Não fazes grelhados no carvão??

1:35 da tarde  
Blogger Guedes said...

Por acaso não faço muitos grelhados no carvão. Mas quando faço, não uso álcool.

O mercúrio-cromo... esse velho amigo de que já nem me lembrava, anda esquecido há ainda mais tempo. Nunca percebi foi o estranho nome e ultimamente tinha sido substituido por outro mítico líquido vermelho: o betadine.

8:30 da tarde  

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