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Terça-feira, Setembro 22, 2009

Quénia e Uganda: tentativa de combater uma memória fraca

Viagem de regresso. Mais uma escala no Dubai. Não consigo deixar de me irritar com o luxo que vejo à minha volta.
O Mundo é sem dúvida um lugar estranho - injusto ao limite do absurdo. Venho de um sítio onde não há luz em quase todas as casas. A água está longe de ser limpa e vai-se buscar a fontes que ficam demasiadas vezes longe. Nenhuma garrafa de plástico vai para o caixote do lixo que, mesmo que quisessemos, não existia. Médicos, nem vê-los. Escola, só para uma parte. A comida não chega para todos e a carne é quase uma iguaria rara.
Chego ao Dubai e o que mais encontro no aeroporto é a palavra luxo: fontes gigantes, chão de mármore, marcas e mais marcas por todo o lado. Sorteiam-se bugatis e maseratis para quem faça compras que na maioria dos casos se podem considerar inúteis num duty free gigante. Regresso a esta estranha (e injusta) onda consumista em que vivemos e rapidamente me (re)habituo: começo a procurar uma máquina fotográfica que substitua aquela que se avariou a quatro dias do fim da viagem.

A memória irrita-me. Pelo menos a minha é estupidamente curta. Rapidamente me esqueço de tudo. Experiências que adorei rapidamente passam para o baú das recordações vagas, de onde esqueço os detalhes e guardo apenas uma sensação geral. Acabo sempre uma viagem a qualquer sítio com uma enorme pena de saber que me vou esquecer de grande parte daquilo porque passei e dos pormenores dos sítios onde estive. O exercício que vou fazer a seguir chega com um mês de atraso, mas serve para combater essa falta de memória - minha e da Ana.

Quénia e Uganda

Não deve existir maior elogio que possa fazer a um sítio. Nos últimos anos tenho feito algumas viagens relativamente longas - 3 a 4 semanas de cada vez. Gostei muito de todas, mesmo com dores de dentes e doenças sem explicação pelo meio. Em todas ficaram coisas por ver e de cada uma retirei no máximo dois sítios de onde saí nostálgico, com muita vontade de estar ali mais tempo e voltar mais tarde.
Nunca fui a Nova Iorque, mas imagino que ir ao Empire State Building seja como visitar a Torre Eiffel em Paris ou as pirâmides no Cairo: saímos de lá satisfeitos e contentes, mas sem grande vontade de voltar. É bonito, fantástico, até, mas está visto. A vida é curta e há muita coisa para ver no Mundo.
Depois, para encontrar aqueles sítios de que se gosta mesmo, é uma questão de gosto (pessoal). Há quem goste de cidades. Há quem goste de campo ou natureza. Há quem goste de praia. Há quem goste de uma conjugação de coisas que não se consegue explicar.
Desta vez encontrei pelo menos quatro sítios daqueles que marcam e onde quero voltar a por os pés. Pelo menos outros tantos foram estudados mas ficaram por visitar por manifesta falta de tempo. Primeiro do Uganda e depois do Quénia, saí triste, cabisbaixo, e com uma enorme vontade de regressar para ver mais coisas e revisitar sítios que achei fantásticos. É difícil explicar porquê. É isso que vou tentar fazer a seguir.

Lotações elásticas e motores humanos

Como se viaja em África? Era uma séria dúvida que tínhamos.
Existe a forma confortável: queremos ir a um sítio (quase sempre um parque ou reserva natural), pagamos a uma espécie de agência e eles organizam tudo. Uma pequena “ilha móvel” de brancos, que se desloca pelas estradas com um condutor (negro) e tudo pré-programado. Foi assim que fizemos um safari de dois dias e meio – seria possível fazer de outra forma, mas era muito complicado. Fica caro e apenas conhecemos a África dos bichos – esqueçam as pessoas.
Depois, há as formas de viajar que utiliza quem vive por aqui – aquelas que dão mais gozo, permitem experiências mais ricas (e mais baratas), mas que podem dar muito trabalho e chatices. Como no Médio Oriente ou Norte de África, aqui não há aquilo a que podemos chamar, pelo padrão europeu, transportes públicos.
A expressão correcta será transportes colectivos. Existem pequenas empresas ou um empresário dono de um ou mais meios de transporte: autocarros, carrinhas, carros, motas ou bicicletas que percorrem regularmente um determinado percurso. Por norma, só partem quando estão cheios. Os clientes habituais conhecem os preços. Quem chega de fora (e é branco) paga frequentes vezes acima da tabela.
Comecemos pelos mais pequenos. Várias localidades (a definição de cidade será complicada...) têm milhares de homens cujo trabalho é pedalar uma bicicleta com um banco almofadado atrás. Chamam-se boda-boda. No máximo, pelo que vi, levam dois passageiros. É barato. Foi o único meio de transporte onde não andámos.
No entanto, alugámos bicicletas nos lagos Naivasha, Nkuruba e Bogoria. Umas razoáveis; outras nem por isso - sem travões ou cuja única mudança possível nas súbidas é à mão. Permitem liberdade e foram uma óptima forma de encontrar girafas, zebras ou procurar uma cascata e percorrer uma floresta tropical.


As 'nossas' bicicletas. Ao fundo, flamingos.Uma bicicleta no Uganda, no mínimo, bonita. Não sei quem é a Jennifer Paris.

Ainda nas duas rodas, há boda-bodas que abandonaram o motor humano: usam uma mota semelhante àquelas que se vêem nas aldeias portuguesas. Servem para pequenas distâncias maiores do que a bicicleta. No máximo, vimos três passageiros. Usámos em Jinja (Uganda), Watamu e lago Naivasha (Quénia). Nunca pensei andar com a Ana e mais um tipo de mota.


Perto do Índico, em Mombasa, usámos ainda aquilo a que os locais chamam tuk tuk - por causa do barulho. Um triciclo a motor para 3 passageiros.


O rei da estrada é, no entanto, o matatu: pequenas carrinhas Nissan ou Toyota que enchem as cidades e estradas do Quénia e Uganda. Formalmente, estão licenciadas para 14 passageiros. No máximo, contámos 21 clientes (recorde registado entre Marigat e o Lago Baringo), sem contar com o condutor e vendedor de bilhetes/angariador de passageiros. O lema, dizem, é que “há sempre espaço para mais um”. A polícia recebe umas notas e fecha os olhos. Alguns clientes escondem-se por entre os bancos.
Muitos matatus estão todos partidos por dentro e por fora. Os cintos raramente funcionam e não chegariam para todos. Alguns, no entanto, têm televisão e quase sempre música (africana, claro) aos berros. Vários, alteram e personalizam drasticamente a carrinha por temas - um clube inglês, um desporto, um cantor, um ídolo, Deus...
Autoclantes revelam uma fé inabalável na intervenção divina e ultrapassam descaradamente os limites de velocidade - mesmo que o velocímetro raramente funcione e tenham o motor limitado a 80km/h. São considerados inseguros. Para um viajante independente, sem carro, não há outra forma de viajar por estes lados do Mundo: cobrem todas as distâncias - pequenas, médias ou longas. São práticos e o que de mais rápido se encontra.

Olha a quantidade em Kampala.
Quando um percurso tem apenas alguns (poucos) clientes que não justificam uma carrinha de 14 (fictícios) lugares, existem carros pequenos a que poderíamos chamar ‘normais’, não fosse o facto de estarem quase sempre escavacados ao ponto de em Portugal não passarem da sucata.
Em Lisboa seriam um taxi para 4 passageiros. Aqui, levam, no máximo, 11: três à frente (um deles no mesmo banco do condutor), quatro atrás e outros quatro na bagageira.
Tal como nos matatus, nestas contas não incluímos crianças - não pagam bilhete e são consideradas uma espécie de bagagem. Com espaço, vão ao colo. Nos autocarros os mais pequenos recebem o mesmo tratamento – numa viagem de 12 horas (Kampala-Nakuru, por exemplo), vão ao colo.
Os autocarros também existem, mas, no entanto, em muito menor quantidade e são muito menos flexíveis. Podem demorar mais de duas horas a encher (e partir). As estradas são sempre péssimas e viajar nos bancos de trás é tipo cama elástica (muito mais dura).
Andar de ‘transportes públicos’ pode ser difícil e dar (muitas) dores de cabeça. Parece que somos frequentemente enganados nos preços, mas é das experiências mais divertidas. Mesmo sabendo que, estatisticamente, ter um acidente é o problema mais provável que se pode ter por estes lados do Mundo.
Um luxo!

Amor e wrestling.

Dormir com os hipopótamos

Dormir em África podia ser penoso. A maioria dos hotéis ficam numa 'normal' habitação africana: tábuas de madeira e chapa. Frequentes vezes juntam “Hotel e Talho” (assim, literalmente) no mesmo sítio. Têm nomes engraçados e até apelativos - algo como Londres Inn. Seria quase como dormir numa barraca – o sítio onde dorme a maioria dos africanos.
Não chegámos tão longe, mas passámos uma noite num hotel (em Mombasa) rodeados de algumas pequenas baratas nas paredes e um barulho ensurdecedor de uma cozinha nocturna. Não foi simpático, mas não havia alternativa e ficou longe ser o fim do mundo. Pelo quarto pagámos algo como 5 euros.
Contraditório, no meio deste cenário e em sítios inesperados, há locais inesquecíveis para descansar ou simplesmente dormir. Custou-me a acreditar (e por isso não veio), mas trazer tenda e acampar podia ser muitas vezes a melhor opção.
Há parques (ou campos) fantásticos e, em alternativa, alugam-se tendas e bandas (tipo cabanas) em sítios quase inacreditáveis.
Encontrámos exemplos numa cabana do lago Naivasha com vista para hipopótamos e rodeada de macacos que roubam bananas, mas também no Nilo com a melhor paisagem que já vi de uma cama. Depois, no lago Baringo, tomámos o pequeno almoço rodeados de aves de todas as cores, com crocodilos à beira da água e hipopótamos que pastavam (tipo vaca) durante toda a noite à volta da tenda impedindo qualquer ida à casa-de-banho. No lago Nkuruba, com comida feita por um padre, olhámos para uma floresta tropical e montes verdes cheios de bananeiras. Finalmente, no Mida Creek, à beira do Índico, encontrámos uma cabana de dois andares iluminada a candeeiro a petróleo, com vista para uma floresta de árvores resistentes ao sal, numa ria de água transparente.

A primeira cabana (em Nairobi).

O típico hotel africano. E este até é 'simpático'. O campo de Naivasha.
O hipopótamo ao fundo.
Vizinhos.

A cabana com vista para o Nilo. Reparem no chuveiro.


O campo de Nkuruba.

O campo do lago Baringo.
Os hipopótamos vistos da tenda.
A cabana no Mida Creek.


Telemóvel sem electricidade

Há coisas que para ‘nós’ são básicas: água limpa e canalizada para tomar banho ou beber; um sistema de saúde e de educação; electricidade; calçado; esgotos; gás; televisão.
Portugal é um país que muitos de ‘nós’ consideramos “atrasado”. Na cauda da Europa... claro. É tudo uma questão de perspectiva – ponto de comparação.
Fazer uma viagem de autocarro com TV no meio de África pode ser uma experiência diferente. No Uganda, mas também em menor percentagem no Quénia, menos de 5 por cento da população tem acesso a electricidade. Parece um passado distante, mas ainda há muitos sítios assim, facto que não impede muitos quenianos e ugandeses de terem telemóvel – pequenas barracas 'vendem' o serviço de carregamento.
À falta de luz está no entanto associada a ausência de muitas outras coisas. Frigorifico? O peixe é seco ou fumado. Lâmpadas? Os candeeiros a óleo ou lamparinas de lata resolvem. Televisão? A rádio contínua a ser o principal meio de comunicação e o pequeno écran, em muitos sítios, só existe numa espécie de sala de cinema feita de madeira e palha para onde se anunciam os dias de jogos da Liga Inglesa.
Depois, há a água: muitos recursos (percebi agora) gastamos nós no dia-a-dia de um país desenvolvido. Em África seriam semanas a caminhar para a fonte mais próxima, que pode estar a vários quilómetros de distância e longe de ser limpa.
O gás também é substituído por micro-fogões a lenha ou carvão feitos de chapa ou barro que se vendem aos montes nas ruas. O metal de tachos e panelas ainda se encontra trabalhado a martelo nas ruas como nos filmes da idade média.
Fazer uma viagem de autocarro com TV em Portugal é uma experiência normal. Olhem à volta: meia dúzia estarão atentos; os outros estarão a dormir. No Uganda as cabeças negras de adultos vão todas levantadas com ar de espanto, tipo crianças a ver desenhos animados.
Há 50 anos, Portugal devia ser parecido.

Formas de transportar água.
Transporte de carvão.
A sala com televisão da cidade.
MTN: Uma loja de telemóveis.
Formas de aquecer água do banho (para quem tem direito a ela).
A lavar a roupa.

Não me perguntem se gostei do Uganda

Ainda hoje não sei explicar bem o que lá fomos fazer. Eu até sei, mas as razões são complexas: quando passámos a fronteira de ar decadente às 6 da manhã depois de 10 horas de autocarro já tínhamos decidido que não podíamos ver aquilo que realmente queríamos no Uganda. Reformulámos tudo e alterámos o percurso: viagens (ainda mais) longas e (quase) impossíveis que eram a primeira escolha tiveram de ser abandonadas. Procurámos alternativas, mesmo não sendo particularmente estimulantes. Apenas porque queríamos (sobretudo eu) ir ao Uganda.
O nome (Uganda), efectivamente, não nos diz muito. Será mais um país africano... É longe. Os portugueses acho que não andaram por lá. Ninguém os conhece pelos safaris - apesar de também existirem. Não tem praias, mas apenas muitos lagos.
O que nos trouxe então ao Uganda? Talvez a ideia de que é um país ainda mais distante e menos ocidentalizado. Talvez a ideia de que era diferente de tudo o que estou habituado.
Não sei se são o povo mais simpático de África, como dizem alguns guias, mas estarão pelo menos lá perto. Sete filhos por mulher, mais de 80 por cento a viver do campo e uma pobreza que salta à vista não foram desculpa para quem quer que seja nos tentar enganar.
Pela primeira vez na vida senti-me não apenas rico, mas também milionário: têm um dos PIBs mais baixos do mundo; a riqueza média produzida por cada português é perto de 60 vezes superior à de quem vive no Uganda – algo como 210 euros por ano... menos de 20 euros por mês. Um motorista terá um salário de menos de 10 euros.
A paisagem é bonita, mas sem os grandes bichos em abundância do país vizinho. Não é isso, no entanto, que marca. Raramente nos lembramos disso, mas há mesmo muita gente com fome no Mundo. Não basta ouvir, é preciso ver.
Nos campos, os miúdos aparecem aos molhos do meio do nada: 50% da população tem menos de 14 anos e o Uganda é o país do mundo com maior percentagem de crianças.
Muitos têm as ‘famosas’ barrigas grandes: 40 por cento das crianças do Uganda sofrem de má nutrição. Descalços, ranhosos, sujos, carregam água, passeiam cabras ou brincam. Há animais domésticos mais bem tratados em Portugal. Pedem de vez em quando dinheiro, canetas ou doces. Abanam a mão como quem diz 'adeus' e gritam em coro “How are you!, How are you!, How are you!”, como se fosse a única frase que aprenderam numa escola que apenas alguns frequentam. Sentimos que somos dos primeiros brancos que vêem. Saem às dezenas do meio do nada, de onde só parece existir árvores e arbustos. No meio, bem no meio, há casas: madeira e lama com telhado de palha.
Não me perguntem se gostei do Uganda: esqueço a parte má e digo que "sim, gostei". A diferença face ao nosso lado do mundo é fascinante, mesmo não tendo piada nenhuma para quem lá vive.

Kibali, uma floresta tropical no Uganda.
Uganda

Brancos e pretos

Mzungu sou eu. Também era a Ana. E devem ser a maioria dos leitores destas linhas. ‘Mzungu’ significca branco em suaíli – uma das línguas africanas que mais se usa por estes lados. Era, também, a forma normalmente não agressiva como éramos saudados nas ruas (sobretudo) do Uganda. Às vezes chateia, admito, mas acaba por entrar no ouvido. E se fosse eu a chamar-lhes ‘pretos’?! Desconheço a reacção – não arrisquei. Mas a verdade é que eu sou tão branco como eles são pretos. Esquecendo todas as conotações negativas das palavras, é apenas um facto.


“Promove-me!” ou a missa do autocarro

Milhões de africanos vivem a vender na rua. Uns pousam os seus produtos no chão. Outros carregam-nos para dentro dos ‘transportes públicos’ enquanto estes não enchem e têm passageiros à espera de chegar ao destino.
De tudo se vende e a ida ao supermercado pode ser completamente desnecessária. Há chupa-chupas, bolachas, sumos, iogurtes e águas. Mas também bananas, milho, salsichas ou menus completos embrulhados em celofane. Nas utilidades encontramos facas, navalhas, óculos, meias e cuecas, ao lado de kits para limpar as unhas, pequenas máquinas de barbear ou carregadores de telemóvel e livros para aprender línguas.
De forma mais ou menos agressiva ou insistente, de tudo um pouco nos foi posto à frente do nariz. Ninguém escapa ao assédio, que no nosso caso pode ser complementado com um pedido de ajuda do tipo “promove-me” – ‘a mim’, subentendo, ‘africano pobre que ganha muito menos do que tu branco rico’.
É difícil explicar que não posso "promover" todos, mas apenas aqueles que vendiam algo que realmente preciso de comprar.
De todos estes ‘vendedores’, há um que não esquecerei nunca. O vídeo que apresento a seguir foi filmado (à socapa, desculpem a qualidade) numa lenta e chatíssima viagem (10 horas) entre Nairobi e Mombasa, com um enorme ponto de interesse: a primeira meia-hora ficou marcada por este ‘vendedor da palavra de Deus’. Um simpático arcebispo (soube depois) atropelado por vendedores de tudo e mais alguma coisa enquanto prega nos estreitos corredores dos lotados autocarros de baixa qualidade do Quénia.
Espero, sinceramente, que o visado nunca encontre este vídeo nas gigantes malhas da Internet, nem leve a mal a sua divulgação. Talvez de me ver a chorar de tanto rir, no final, dirigiu-me simpaticamente a palavra e trocámos e-mails.

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Bichos (e mais bichos)

Gosto de bichos. Pequenos ou grandes. Selvagens ou domésticos. Que andam em terra, na água ou no ar. Há malucos para tudo: uns gostam de beber copos no Bairro Alto; eu prefiro ver peixes na praia ou flamingos no Tejo, mas não sei se vou continuar a achar-lhes a mesma piada.
Viajar para mim é sobretudo conhecer novas culturas e novas formas de encarar ou passar pela vida. África apresenta esse grande atractivo – 40 e tal tribos num país, não sei quantas línguas... –, mas também tem os bichos – que nunca imaginei encontrar em tão grande quantidade.
Adorei as pessoas e ver os seus comportamentos diários, mas este extra africano e sobretudo queniano deixa marcas.
Em reservas, mas de forma inacreditável também fora delas, encontrámos centenas de espécies que nunca pensei ver tão perto em ambiente selvagem. Quase dormimos com hipopótamos. Estivemos ao lado de leões ensonados depois da caça. Dissemos adeus a crocodilos e garças enormes que não fugiam. Tomámos o pequeno almoço rodeados de pássaros de vários tamanhos e cores. Fomos assaltados por macacos. Passeámos pelo meio de zebras e búfalos. Perseguimos girafas de bicicleta.
A quantidade e diversidade é tanta, à beira da estrada ou nos campos onde dormíamos, que nunca me passou pela cabeça ser possível ver tanto animal e de uma forma tão fácil. Uma espécie de zoo sem muros.
Regresso com o receio de chegar a Portugal e não achar piada nenhuma a coisas como ver aves no Estuário do Tejo ou veados na Tapada de Mafra. Temo e ao mesmo tempo desejo, que a minha habitual memória seja de novo difusa e que volte a ficar de boca aberta quando vejo uma pequena garça branca a sobrevoar o IC19.

No caminho para Masai Mara.

Eu atrás das girafas.

Vida e morte.

Reparem nos pássaros em cima da zebra.
O pássaro secretário.
Búfalos.

Elefantes.
A traseira.
Um campo de futebol no meio dos bichos.
O rei.
Os abutres.
As chitas.
Um bicho muito estranho.
Na sesta.

O gnu.
Os gnus na migração.
Almoço.
A máquina.
Na migração.
Mais gnus.
Os primeiros hipopótamos.
A migração.
Ainda dizem que os animais não pensam: caça em grupo. Tudo de cabeça para baixo!





A alimentar os macacos de Gede.
Águia pesqueira no lago Baringo.
Um vizinho da nossa tenda.
Crianças e crocodilos.
Haaaaaa... no Lago Baringo.
Hipopótamos.
Os pelicanos e uma águia pesqueira.
As patas do hipopótamo.
Ninhos.
O (enorme) marabu.
Vacas no meio do parque nacional.
O verdadeiro rei.
Passáros em Jinja
Formigas em Entebe.
Comichão.
Lago Bogoria.
Uma visita de estudo.

Os flamingos do lago Bogoria.



Reparem no crocodilo em cima do hipopótamo.
Nascer do sol com os hipopótamos.
Maria-café gigante?

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A feira popular na savana.


Vasco da Gama vs. Cristiano Ronaldo

Durante anos pensei que só nós estudamos e damos importância aos Descobrimentos: história para português ter orgulho no seu país e não querer ser espanhol.
Fora de fronteiras e longe de Portugal só me falavam do país por causa do futebol – pronto, é verdade, uma vez falaram-me da cortiça...
É isso, a bola e os seus jogadores (por vezes também treinadores) que nos faz ser minimamente conhecidos no mundo e não passarmos de um nome que a maioria dos habitantes deste planeta nunca ouviu. Gostemos ou não, é a verdade.
Por aqui o futebol também é aquilo que mais sai da boca quando se fala de Portugal, sobretudo em países loucos com o futebol que se joga nos estádios das ilhas britânicas.
Cristiano Ronaldo é hoje uma espécie de sinónimo obrigatório que se segue à palavra Portugal. Um jogador suplente na selecção portuguesa (o Nani) pode ser o tema decorativo de um matatu que liga Watamu a Malindi ao lado do Oceano Índico. As caras de jogadores como Ricardo Carvalho ou Hilário (quem?!) podem estar dentro de um matatu cheio de luzes azuis e jogadores do Chelsea por todos os lados.
No Quénia há, no entanto, excepções. Os portugueses não estiveram por ali muito tempo, mas pelo menos o nome contínua a ser ensinado nos bancos das escolas. Depois de Cristiano Ronaldo, Vasco da Gama terá sido o nome que mais ouvimos depois de dizermos Portugal.
Efectivamente, andámos mesmo por ali. Há fortes, igrejas e padrões portugueses na costa.
Um simpático guia de Mombasa com quem falámos acredita que há palavras em suaíli vindas de Portugal – mesa e chapéu dizem-se da mesma forma.
São raríssimos os portugueses que vão agora àqueles lados de África. Em vários sítios nunca tinham visto um. Perguntam-nos porquê: respondo com dinheiro, tamanho do país e hábitos culturais.
Garantem-me que o Vasco da Gama era mais alto que eu.
'Exportámos' uma quantidade inimaginável de escravos, mas não parece que sejamos mal vistos. Colonizámos algumas partes, sim. Saqueámos várias cidades, também é verdade. À palavra Portugal segue-se uma exclamação longa de “portugueses...” como se fosse uma palavra que apenas tivessem visto nos livros da escola.
O Vasco da Gama e por consequência nós, não somos bem ou mal vistos. Somos apenas um marco na história.
Como nos tentou explicar um dos muitos habitantes com quem falámos em Kampi ya Sámaki (perto do lago Baringo), sem Vasco da Gama não existia Mike Tyson, nem Michael Jordan, nem Obama na Casa Branca. Barack, se faz favor, agradece a Portugal!

E o que há ao lado de um forte português?!


Este senhor garantiu-me: Vasco da Gama era mais alto do que eu. Também não era difícil...

Um filho chamado Nokia

A língua ajuda. Ao contrário do Médio Oriente, Marrocos ou China, aqui fala-se inglês. Já não precisamos de apontar para caracteres estranhos escritos no guia e pedir direcções, confiando na sorte.
Com todas as limitações linguísticas com o inglês (deles e nossas), no Quénia e no Uganda é possível falar. Nem sempre os diálogos foram agradáveis – muitas vezes servem apenas para regatear preços. Mas tantas ou mais vezes foram instrutivos e agradáveis.
Quantos filhos tínhamos? O tempo em Portugal? A língua? O dinheiro? A pobreza? Nunca aprendi tantas palavras de uma língua estrangeira numa viagem: asante (obrigado); jambo (olá!); akuna matata (não há problema); ou mjungu (branco).
Viajar sem nada marcado implica estar a maioria das vezes dependente de quem encontramos na rua: para saber onde se apanha este ou aquele transporte; para saber onde se come; ou qual o caminho para determinado sítio.
Houve problemas, como sempre, e a pressão para comprar isto, aquilo ou aquele serviço pode ser enorme. De uma forma geral, encontrámos pessoas simpáticas, de sorriso aberto e fácil, contentes por estarmos ali, mesmo perante a desconfiança dos brancos.
Se tivermos um filho já sabemos o nome. Ficou a proposta: “Não se esqueçam: Nokia... como o telemóvel”.

Uma cidade.
outra cidade.
A lavar a roupa e o corpo.
A lavar a roupa.
Os masai.








Aqui as mulheres trabalham a sério. Pequenas e grandes.


A cozer ovos.
No lago Baringo.
Um lago (Oloiden) só nosso (e dos seus bichos)!


Viver sem carne

Sou muito esquisito com a comida. Já fui mais. Só gosto de coisas simples: massas, arroz, batatas, carne. Há uns anos percebi que tinha um problema quando comecei a ir de férias. Aos poucos fui mudando, mas contínuo a comer a 'minha' comida em casa. Quando estou fora, não tenho alternativa: como coisas que nunca imaginei e outras de que desconheço completamente a origem. Num país onde carne e peixe é um bem de luxo, descobri que consigo viver (bem) de coisas como matoke, ugali, cassava e feijões.

Nós, os ricos

Numa terra em que sou rico, sinto-me mal a comprar algumas coisas. Comer bem ao lado de quem passa fome pode ser confrangedor. Comendo, dormindo e andando nos transportes de quem vive por aqui, é possível viver com menos de 10 euros por dia. Esqueçam os parques naturais e vivemos perfeitamente bem com 25.

Nairobi é conhecida pela insegurança. As flores guardam-se com arame farpado.

Mombasa, terra muçulmana.

Mombasa.

Nunca andarás sozinho (mesmo no Quénia).

Formas de combater a corrupção.

Mida Creek. Árvores que resistem ao sal.



E para terminar, vejam a cor desta água do Índico.



Na água do Índico.

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Quinta-feira, Setembro 10, 2009

E esta a acabar! Ficaria muito mais tempo...

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Acabaram de me perguntar quantas tribos ha em Portugal.
E Africa e realmente um sitio perigoso. Fui assaltado. Um macaco roubou.me seis bananas.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Números para todos os gostos.

Vai ser uma troca de argumentos engraçada até às eleições de Setembro. Armas para o governo: economia a crescer mais do que a média da UE. Armas para a oposição: desemprego acima dos 500 mil. Cada partido interpretará os dados como pensar que lhe é mais útil.

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Ola Guedes (4)

Quando era miúdo o meu apelido irritava-me: os meus colegas da primária achavam-lhe piada e começaram a chamar-me “Guedes” - eu não gostava.
Aos poucos, fui-me habituando e hoje é perfeitamente normal. Tive fases em que nem reconhecia quando chamavam por “Nuno”.

Também pensava que os Guedes eram poucos. Fui-me apercebendo que éramos muitos e vários chegam a ter o mesmo primeiro nome que eu.

Agora, descobri isto: nos EUA há centenas (milhares?) de Guedes (aqui). O Al(3) e o Abdul(2). A Shakira(2) e a Anastasia(6). A Santa(10) e o Santo(10). O Robby(9) e o Adolph(3). O Ying(5) e o Yang Guedes(5).
Tudo isto ainda se pode considerar "relativamente" expectável (com muitas aspas). Nunca pensei foi encontrar 3 possíveis familiares com o nome de Bambi...

PS. Parece que funciona com qualquer apelido.

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Sábado, Agosto 01, 2009

Manifestação Sikh anti-Índia.




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Quarta-feira, Julho 22, 2009

Pós-materialismo na casa de banho

É uma das minhas teorias favoritas nas ciências sociais. Que me permitiu perceber porque raio há tanta gente a morrer de fome em África e nós, deste lado do Mundo, nos preocupamos com coisas como a reciclagem ou os direitos dos homossexuais.
Tentando resumir, nós, no mundo desenvolvido, já temos há vários anos as nossas necessidades básicas satisfeitas. Existem, obviamente, excepções, mas de uma forma geral, praticamente todos (bem ou mal) temos comida na mesa, cama para dormir e um sistema de saúde (comparativamente) bastante razoável.
Com todas estas necessidades básicas satisfeitas e enraizadas sobretudo nas mentes dos mais novos que nunca passaram por dificuldades realmente severas, as pessoas (nós) começam a preocupar-se com coisas que, numa análise crua de quem passa fome, se podem chamar supérfluas – ambiente; direitos; liberdades individuais; cidadania…
Em Portugal, estes valores, a que Inglehart (o autor da peregrina ideia) chamou de pós-materialistas, estão, naturalmente, menos enraizados do que noutras sociedades ocidentais (apenas um de vários estudos sobre o assunto, aqui). As razões são lógicas: desenvolvemo-nos mais tarde e continuamos alguns passos atrás daqueles países desenvolvidos com que nos costumamos comparar.
Estas “novas” prioridades ajudam a explicar o nascimento do Bloco de Esquerda no final da década de 1990, mas podem estar em regressão com a crise nacional persistente dos últimos anos.

Tudo isto para dizer que há hoje nas estradas um exemplo extremo de pós-materialismo na sociedade portuguesa. Um cartaz publicitário que quase me fez parar o carro e ficar parvo de boca aberta a olhar para os novos rolos de papel higiénico da Renova - empresa nacional que já nos tinha presenteado há anos com umas folhas de papel higiénico preto.
Citando o texto promocional, “nenhum rolo da mesma embalagem é igual ao outro” e distingue-se “facilmente dos habituais rolos de papel branco ou decorados com padrões monótonos” (aqui).

Já não basta limpá-lo. É preciso limpá-lo com classe.

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Segunda-feira, Julho 20, 2009

Política sem toda a verdade

Manuela Ferreira Leite diz que o primeiro-ministro devia ter vergonha por não cumprir promessas. Sócrates terá feito "tudo ao contrário" e o PS tinha "todas" as condições para resolver os problemas sociais do país (aqui). José Sócrates responde: falam muito, mas "ninguém" apresenta propostas alternativas (aqui). Nenhuma das versões é verdadeira.

Para ganhar votos, ninguém diz toda a verdade. O outro lado da barricada não pode ser apenas mau: tem de ser sempre péssimo. É a política inevitável dos extremos, em que tudo o que o que outro faz só pode ser diabolizado. Sobretudo, perto de eleições. Frases sem grande conteúdo, mas que ficam bem no espectáculo mediático.

Dizer que "Sócrates fez tudo ao contrário" do que prometeu em 2005, é falso. Algumas coisas fez como disse; outras não. Afirmar que não há propostas alternativas, também não bate certo com o que se vê de vez em quando nas notícias. As propostas podem não ser muitas ou as melhores, mas existem.

Será possível dizer toda a verdade no combate político?

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Terça-feira, Julho 14, 2009

Fórmulas para ganhar dinheiro.



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Domingo, Julho 05, 2009



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Quinta-feira, Julho 02, 2009

O poder da imagem

Vamos supor que Manuel Pinho era um fantástico ministro da Economia; um genial político; alguém que salvou (como ele alega) os empregos de muitos portugueses. Imaginemos que sim (não consigo avaliar se é verdade). Um gesto a simular um par de cornos no meio de uma acesa troca de palavras parlamentares vale uma demissão?
Chamar a um político de forma indirecta aldrabão, palhaço, corrupto, interesseiro (como acontece todos os dias) não é igualmente grave?
Um gesto irreflectido justifica o fim de políticas que eventualmente se poderiam avaliar como boas? É razoável perder qualidade governativa com um novo ministro a acumular (inevitavelmente, mal) durante três meses duas pastas essenciais para o país?
A política e a sociedade podem ser injustas.

PS. Bom ou mau servidor da causa pública, Manuel Pinho tinha claramente um problema com a imagem. E isso é, goste ou não, mortal.

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Domingo, Junho 28, 2009



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Sexta-feira, Junho 05, 2009

Eleições

É um palpite. Sem qualquer rigor e ou qualquer sondagem por base. Posso estar completamente errado.
Em 2004 as eleições europeias registaram 61,4% de abstenção. Em 2009 vai estar entre os 70 a 75%. Razões: novo sistema de recenseamento, com muitos milhares de novos eleitores (com tendência para não votar) a entrar nas contas; dois feriados propícios a "pontes"; crescente desilusão com os partidos.

Será considerado um desastre. A abstenção vai dominar o debate pós-eleições. Nada vai mudar.

Declaração de voto: de todos os cartazes que tenho visto na rua durante estas semanas (todos com mensagens sem qualquer conteúdo), votarei na Calzedonia.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Marrocos IV

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Marrocos, III

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Marrocos II

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Marrocos, 2008. Um local fantástico aqui tão perto.

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Sexta-feira, Maio 08, 2009

Quinta-feira, Maio 07, 2009

O jornalistiquês

Há um fenómeno a que podemos chamar "jornalistiquês": explorações de temas ou hipóteses mais ou menos prováveis, que na prática interessam a meia-dúzia de almas, mas que os meios de comunicação exploram à exaustão e que fazem sucesso entre os jornalistas.
Escrevo, hoje, sobre o Bloco Central. Este é apenas uma hipótese que depende de uma série de variáveis: votos dos portugueses; vontades dos partidos e seus líderes; conjuntura política e económica.
Se quiser ser sincero, nenhum político pode excluir essa hipótese. Dizer um claro "Sim!" ou "Não!" seria um absurdo e quase astrologia prevendo um futuro que como todos sabem é incerto. Mas os jornalistas (onde me incluo) gostam de explorar um tema que por uma ou outra declaração passou (sem grande justificação real) a estar na ordem do dia. Fazer perguntas a todo e qualquer político que se considere ter algum peso no partido: concorda, não concorda, admite? Quem é sincero, dá a sua opinião e diz o óbvio que se resume numa ideia: "tudo é possível". A notícia passa a ser que "x admite Bloco Central", parecendo para o povo que até concorda com a opção, mesmo que na prática seja algo de que à partida não gosta ou só vê como último recurso.
A comunicação é um fenómeno estranho.

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Os nomes dos barcos mereciam um blog só dedicado ao tema e várias teses de doutoramento. É todo um mundo novo à espera de ser explorado.

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Segunda-feira, Maio 04, 2009

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Cómico, cómico é um tipo com um BMW desportivo topo de gama que costuma visitar regularmente um chafariz para encher garrafões de água para levar para casa.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

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Segunda-feira, Abril 20, 2009

"Estou fechado no castelo"

Espero que se consiga ler. A hospitalidade portuguesa é deliciosa. Atenção ao pormenor: digam lá que não dá vontade de ligar para a polícia e dizer, com sotaque britânico, “Estou fechado no castelo”.
Foto tirada há semanas no castelo de Leiria.

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Quinta-feira, Abril 09, 2009

Ainda dizem que a Igreja Católica não tem sentido de humor: caixa de esmolas na Sé de Leiria.

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Segunda-feira, Abril 06, 2009

Leis: para quem quiser perder tempo

A citação que apresento a seguir é apenas um exemplo. Gosto de Direito e coisas que para muitos são chatas, mas ser jurista é muitas vezes um quebra-cabeças ou puzzle com demasiadas peças, numa actividade que em vez de didáctica devia ser prática.

A espécie de preambulo que apresento a seguir foi publicada no dia 1 de Abril (não sendo mentira) e é apenas uma alteração a algo tão importante como o Código Civil, uma das leis mais fundamentais de um Estado que pretende ser de Direito.

Lei n.º 14/2009 de 1 de Abril
Altera os artigos 1817.º e 1842.º do Código Civil, sobre investigação de paternidade e maternidade A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:

Artigo 1.º
Alterações ao Código Civil
Os artigos 1817.º e 1842.º do Código Civil, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 47 344, de 25 de Novembro de 1966, com as alterações introduzidas pelos Decretos-Leis n.os 67/75, de 19 de Fevereiro, 261/75, de 27 de Maio, 561/76, de 17 de Julho, 605/76, de 24 de Julho, 293/77, de 20 de Julho, 496/77, de 25 de Novembro, 200 -C/80, de 24 de Junho, 236/80, de 18 de Julho, 328/81, de 4 de Dezembro, 262/83, de 16 de Junho, 225/84, de 6 de Julho, e 190/85, de 24 de Junho, pela Lei n.º 46/85, de 20 de Setembro, pelos Decretos -Leis n.os 381 -B/85, de 28 de Setembro, e 379/86, de 11 de Novembro, pela Lei n.º 24/89, de 1 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 321 -B/90, de 15 de Outubro, 257/91, de 18 de Julho, 423/91, de 30 de Outubro, 185/93, de 22 de Maio, 227/94, de 8 de Setembro, 267/94, de 25 de Outubro, e 163/95, de 13 de Julho, pela Lei n.º 84/95, de 31 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 329 -A/95, de 12 de Dezembro, 14/96, de 6 de Março, 68/96, de 31 de Maio, 35/97, de 31 de Janeiro, e 120/98, de 8 de Maio, pelas Leis n.os 21/98, de 12 de Maio, e 47/98, de 10 de Agosto, pelo Decreto -Lei n.º 343/98, de 6 de Novembro, pelas Leis n.os 16/2001, de 22 de Junho, e 59/99, de 30 de Junho, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, 273/2001, de 13 de Outubro, 323/2001, de 17 de Dezembro, e 38/2003, de 8 de Março, pela Lei n.º 31/2003, de 22 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 199/2003, de 10 de Setembro, e 59/2004, de 19 de Março, pelas Leis n.os 6/2006, de 27 de Fevereiro, e 40/2007, de 24 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 263 -A/2007, de 23 de Julho, 324/2007, de 28 de Setembro, e 116/2008, de 4 de Julho, e pela Lei n.º 61/2008, de 31 de Outubro, passam a ter a seguinte redacção:

Sei que ninguém foi capaz de ler tudo. Nem vale a pena.

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Quinta-feira, Abril 02, 2009

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Quarta-feira, Março 25, 2009

Perguntas do dia

Quantos sabem o que faz o Provedor de Justiça? O cargo vale tanta discussão? Teimosias?

Segunda-feira, Março 23, 2009

Tejo

A foto está longe de ser perfeita, mas dentro de um pequeno kayak, mesmo às portas de Lisboa, é difícil melhor.

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Quarta-feira, Março 18, 2009

Jornalismos

Ser jornalista é quase sempre um trabalho sem frutos palpáveis. Inútil na maioria dos dias. Quem sai da escola e chega a uma redacção com vontade de mudar o mundo e fazer grandes reportagens, rapidamente percebe que escolheu o caminho errado.
O jornalista é um grande seleccionador de factos, sejam eles coisas que acontecem ou opiniões de outros, que encaixa quase sempre em espaços muito pequenos de papel ou tempo. Os juízos pessoais são tabu. Até posso achar que o político x é evidentemente para todos uma besta e que a medida y é estapafúrdia, mas não posso dizê-lo.

Há poucos dias usei a ferramenta básica da profissão. Coloquei uma questão: porque são raríssimas as instituições sociais, religiosas ou humanitárias que aderem ao sistema que lhes permite receber uma doação de 0,5% do IRS dos contribuintes? Não faz sentido.
Ao fim de alguns telefonemas concluí que as finanças levavam as instituições a escolher entre essas doações do IRS ou o reembolso do IVA, com um conhecido fiscalista a contestar a legalidade da medida. Era assim desde 2002, mas parece que ninguém se queixava.
Sem grande impacto (já fiz coisas supostamente mais relevantes para os complexos parâmetros mediáticos), a notícia saiu. Como tantas outras, foi para o ar e durante umas horas andou pelas antenas da rádio, até esgotar o natural prazo de validade.
Hoje, o governo decidiu alterar a lei. Se cumprir a promessa, e independentemente da minha opinião sobre o assunto (como já perceberam, não conta...), daqui a umas décadas vou poder dizer aos meus netos que acredito que foi devido a uma simples pergunta minha que instituições que supostamente tentam ajudar outros passaram a receber mais uns milhões de euros do Estado.

Chamem-me convencido (admito), mas hoje sinto-me importante. Dá gozo influenciar o chamado “poder”, é verdade, mas isso é completamente secundário: penso que ajudei alguém e não é todos os dias que sinto isso quando estou a trabalhar. A última vez foi há seis ou sete anos, depois de fazer uma reportagem num bairro municipal de Lisboa sobre problemas antigos nos esgotos. No dia seguinte ligaram-me a agradecer: os técnicos da câmara já tinham resolvido o problema.
Às vezes, vale a pena ser jornalista.

Segunda-feira, Março 16, 2009

Um retrato da comunicação social

Conheci o João Mesquita na extinta A Capital. Durante um a dois anos trabalhámos na mesma redacção, mas falávamos raramente. Mais tarde, passou a ser meu editor, cargo que só aceitou com a condição de o jornal regularizar a situação precária dos jornalistas da editoria. Não chegou a aquecer o lugar (um mês no cargo) e nesse pouco tempo conheci alguém rigoroso e que percebia imenso de jornalismo, com conselhos úteis e quase professorais na revisão de um trabalho.
Depois dessa época, continuámos a encontrar-nos regularmente, mesmo que não falássemos muito um com o outro. Não éramos amigos do peito, mas gostava do Mesquita. Era um tipo impecável, inteligente, culto, sábio, bem disposto e com quem valia a pena falar.

Estar com o João Mesquita e falar de trabalho era, no entanto, constrangedor. Ele nunca se queixava, nem passava os dias a lamentar-se da vida e da profissão, mas era difícil ignorarmos a realidade. Óptimo e experiente jornalista, com tudo e mais alguma coisa para ensinar, o Mesquita continuava ano após ano desempregado. E todos sabíamos (incluindo o próprio) que dificilmente voltaria ao seu ´habitat` natural - uma redacção.
O seu longo ´testamento` de vida está publicado na internet (aqui), foi feito há dois anos num projecto de investigação académica sobre o "Perfil Sociológico do Jornalista Português" e vale a pena ser lido com muita atenção: no meio de uma análise serena e certeira do jornalismo português (concordo com praticamente tudo), vai-se contando uma parte da sua própria história:

«João Mesquita é também exemplo do jornalista qualificado e experiente que as redacções portuguesas menosprezam. Aos 49 anos e meio, à data da entrevista, carrega mais de três anos de desemprego e, como admite, vê poucas possibilidades de voltar a uma redacção».
«Outubro de 2003. João Mesquita fica desempregado mais uma vez. Três anos e meio depois, à data desta entrevista, em Janeiro de 2007, mantém-se desempregado. Já se esgotou o período do subsídio de desemprego e está a viver do subsídio social, 300 e poucos euros por mês, e de uma ou outra colaboração, “cada vez menos e pior pagas”».


Ironia das ironias, o Mesquita morre (sem emprego, com as tais "colaborações") e recebe inúmeros, rasgados e merecidos (mas certamente tardios) elogios: muitos amigos e admiradores sinceros; directores de jornais de referência (aqui e aqui); um voto de pesar aprovado por unanimidade na Assembleia da República (aqui); e o elogio do ministro dos Assuntos Parlamentares, com a pasta da comunicação social (aqui).
Alguns dos adjectivos usados pelas ilustres figuras: "íntegro", "rigoroso", "competente", "frontal", "bom e sólido jornalista", "um dos homens mais sérios" e de “carácter” que "nunca fez mal a ninguém", cujo exemplo deve “perdurar e inspirar os colegas”. Por tudo isto o João Mesquita era e é um símbolo? Sim!, mas não só: o Mesquita é a imagem do estado do jornalismo português.
Obrigado por tudo e por nos ajudares a colocar a questão: Vale a pena ser uma excelente pessoa e um bom jornalista?

Quinta-feira, Março 12, 2009

Líderes: uma questão de volume e quantidade

Parece que é líder ou chefe quem fala mais e mais alto, mesmo que não tenha tendência para ter razão. Verdade a partir de agora científica (aqui).

Domingo, Março 01, 2009

Branco

Quando apanhar frio e cair insistentemente no chão vale bem a pena.

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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Informação em excesso

TVI24. Mais um canal de informação. Zapping: canais 5, 7, 8... Vale a pena? Há notícias e informação num (pequeno) país para tanto tempo de antena na TV? Há mercado? Tenho muitas dúvidas.

Mais uma razão para estar frequentemente farto de notícias e informação que me parece demasiadas vezes inútil.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Tenho de pegar nos binóculos

Pelo menos 3 falcões peregrinos foram avistados em Queluz. Estes falcões alimentam-se de outras aves, geralmente pombos ou pássaros de pequeno porte. Os falcões peregrinos foram avistados na zona da Av. Miguel Bombarda e Rio Jamor (aqui).

Sábado, Fevereiro 14, 2009

A crise

Estou farto da crise. Parece uma bola de neve. Uma avalanche sem paragem à vista.
Não sou pessimista: nem tudo é mau e muito até é bom.
Sou um priviligeado, sortudo, como queiram. É verdade, podem criticar, e esse é o meu ponto de vista. Não tenho filhos, pais em dificuldades ou casa para pagar. Mas olho à volta e não vejo o fim do mundo nesta ponta da Europa.
A famosa crise também tem pontos positivos: consumiamos de uma forma genérica demais. Poupança, quase zero.
Uma imagem que vi à semanas engordava ou emagrecia o mapa mundo conforme a riqueza de cada país. África parecia um palito; a Europa uma senhora gorda.
Não quero ninguém no meu país a viver como se vive do outro lado do Mediterrâneo. Mas porque devem eles viver mal e nós (ou eu) bem? Quando vou jantar nem me lembro disso.
Em Portugal há um Estado. Bom ou mau (depende da comparação), ajuda muitos dos que "caem" em dificuldades. Há apoios sociais. Subsídios. Educação. Sistema de saúde.
Vale a pena tanta preocupação? Ou vivemos mesmo assim num "mundo" que para biliões continuaria a ser o paraiso?

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

À espera de calor.

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

A Barbie

Mulheres deste mundo, fiquem em choque - eu quase fiquei e nunca brinquei com ela. A Barbie tem como inspiração uma prostituta do pós-guerra (aqui).

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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

ZPE: para além da sigla

Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo: uma designação muito usada por estes dias. Serve sobretudo para proteger aves, mas nela não existem apenas animais com asas. Para além do nome, poucos a conhecem para além do nome ou de uma passagem rápida por alguma estrada. Com ou sem Freeport, gosto da ZPE. O meu contributo para que não seja apenas um conjunto de palavras:











Sábado, Janeiro 31, 2009

Linha do Douro: Pocinho-Barca de Alva. Desactivada. 28 quilómetros. A pé.