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sexta-feira, maio 23, 2008

Antes de chegar à Capital disseram-me que era o ambiente ideal para crescer como jornalista. Não pelo jornal em si, que vendia pouco e já na altura tinha um destino incerto, mas por uma ou duas pessoas que sabiam mais do ofício do que eu alguma vez conseguirei aprender.
Quem me falou por alto nesse "mundo" novo foi o Rogério Rodrigues. Só anos depois percebi que o "professor" tinha sido o Torcato Sepúlveda.
A primeira vez que o vi achei-o estranho ou, no mínimo, diferente. Mais tarde, percebi que era único.
Com o Torcato aprendi imenso. Das coisas mais simples às mais complicadas, a que a maioria dos estagiários não tem acesso nas redacções, vazias de gente mais velha.
Rigoroso e dono de uma fúria inesperada que podia nascer a qualquer altura no meio do mais pequeno pormenor supostamente menos correcto, conseguia gerar sobretudo respeito entre quem trabalhava com ele.
Fora da redacção saímos várias vezes com aquela que passou a ser a nossa antiga equipa na Capital, de onde saiu pela última vez comigo em lágrimas virado para o computador.
Por feitio meu e talvez por um enorme respeito por aquela figura única, nunca falámos muito.
Um dia, à saída de um restaurante, na habitual despedida, disse-me inesperadamente: "Gosto imenso de si". Surpreendido, fiquei sem palavras, mas nunca mais me esqueci daquele momento. Queria ter respondido da mesma forma.

2 Comments:

Blogger Anette said...

Acho que ficámos todos com essa sensação de terem ficado tantas coisas por dizer. Acho que é sempre assim quando enfrentamos estes momentos tão dolorosos de perda. Já muitas saudades, claro!

6:46 da tarde  
Blogger Bruno Henriques da Silva said...

Acho que só agora nos apercebemos de que foi um grande previlégio nosso termos conhecido e trabalhado com o Torcato.

4:25 da tarde  

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