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segunda-feira, dezembro 12, 2005

A gravata

O que faz um político que não quer ser igual aos outros? Em primeiro lugar, escolhe (ou funda) um partido a que não chama "Partido". Em Portugal, o mais conhecido chama-se Bloco. No dia-a-dia, não usa gravata.
Pessoalmente, detesto gravatas. Julgo que apenas usei esse adereço da moda masculina por uma vez.
O dicionário descreve-a como uma tira de tecido, estreita e longa, que se usa em torno do pescoço e que é presa por um laço ou nó na parte da frente. As livrarias e a internet estão cheias de livros e páginas com as 85 (ou mais) formas de dar o famoso nó (aqui ou aqui).
Hoje, as gravatas serão usadas por cerca de 600 milhões de homens. Tudo começou no século XVII quando um rei de Inglaterra levou para as ilhas britânicas a moda do lenço ao pescoço que tinha visto entre o exército francês (mais pormenores, aqui). Ajudada pelo frio e por aquecer o pescoço, a gravata espalhou-se pela Europa. Na prática, hoje, estes "nós de pescoço" – necktie, como uma forca – não servem objectivamente para nada. No Japão, os gestores já tentam abulir o adereço da moda masculina para poupar energia.
Neste país à beira-mar plantado, chamado Portugal, onde o frio não é a imagem de marca, a gravata reina nos pescoços e proeminentes barrigas das figuras públicas. Apresentadores de televisão, comentadores de futebol, empresários ou políticos. Dificilmente alguém foge à "ditadura" do nó.
Os políticos do Bloco de Esquerda são a excepção. E Francisco Louçã o seu exemplo máximo. No Parlamento ou nos debates presidenciais, não me lembro de alguma vez ter visto um bloquista com um nó ao pescoço. Pode ter fato. Mas gravata nunca. Começa a parecer demasiado forçado...

5 Comments:

Blogger Zé Pedro said...

O bloco é uma maquinação perversa da extrema esquerda portuguesa, que junta arrivistas como o PSR, a Política XXI ou a UDT. Gente cuja ideologia sempre foi revolucionária.

Mas agora apresentam-se com este novo charme, de dandys defensores dos trabalhadores, de metrosexuais da classe operária. Concordo inteiramente com a observação da gravata: também a mim me parece forçada a sua não utilização, numa tentativa de sedução a um determinado público.

Tirando isto, eu até gosto do papel do Louçã na assembleia. Não gosto dele, bem entendido. Não gosto do partido dele ou das ideias que professa. Mas a verdade é que são os únicos a fazer verdadeira oposição no parlamento: perguntas directas, específicas e incisivas.

O giro é que a extrema esquerda considera isto traição (e sei do que estou a falar, conheço um membro do bloco que diz que o Louçã é um traidor ao proletariado)...

12:24 da tarde  
Blogger Guedes said...

Esqueceste a FER - Frente de Esquerda Revolucionária. Mas não é grave. O próprio BE nunca refere esse quarto partido.

12:39 da tarde  
Blogger Guedes said...

Quanto ao Louçã: esquece o proletariado. Nem ele, nem o BE, têm algo a ver com essa gente. Não é por acaso que Oeiras é dos concelhos onde o Bloco de Esquerda tem mais votos.

12:42 da tarde  
Blogger Cláudio said...

Eu confirmo que o Bloco apagou a FER da sua história enquanto "partido". E têm mesmo muitas reservas em falar da FER.... dizes-me porquê politólogo Guedes? ;)

1:29 da tarde  
Blogger Guedes said...

Cláudio: sinceramente, não faço ideia... Teria de basear a minha resposta em estudos já feitos sobre o assunto, mas além de nunca os ter visto, acho que não existem.
No entanto, dá-me algum tempo (e um pc melhor...) para fazer umas pesquisas e continua a vir a estes comentários de vez em quando que vou tentar apresentar algumas hipóteses. Assim de repente, apenas posso dizer que a FER parece muito mais radical que os outros partidos do BE.

E olha que o Zé também deve saber umas coisas sobre o assunto... Não apenas por ter o curso de Ciência Política quase tirado (o que também não adiantaria muito neste caso), mas porque percebe do tema. Mais do que eu.

2:54 da tarde  

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