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terça-feira, outubro 31, 2006

Nomes

«Sociais-democratas acusam Executivo de 'governamentalizar' RTP. O deputado social-democrata Agostinho Branquinho acusou ontem o Executivo de José Sócrates...» O resto da notícia não interessa. A minha pergunta é simples: como é que um político com um nome destes pode ser levado a sério?!

Pro life or pro choice

Esta noite, foi debatida a questão da liberalização do aborto (e a suposta imprecisão é propositada) no prós e contras. Ao seu estilo habitual, o programa foi um chorrilho de falácias, argumentos pobres, demagogias e aplausos sem sentido. No entanto, é louvável que se discuta a questão. Pena é que se tenha dado tão pouca importância ao problema principal - a da pergunta - que fará muitos defensores da despenalização (como eu) votar contra. Concordo com o o aborto até às 10 semanas. No entanto, a pergunta aprovada transforma a despenalização em libralização e isso coloca-me problemas. Custa muito compreender esta diferença?

domingo, outubro 29, 2006

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sábado, outubro 28, 2006

História interminável

Tantas horas à procura do bordel, e agora é que ele reabre: Pinturas eróticas com dois milénios são nova atracção de Pompeia, após dois anos de restauro (aqui ou aqui)

terça-feira, outubro 24, 2006

Tremam: Luís Filipe Vieira ameaça calar-se.

Roleta russa

No jardim que frequento, as pessoas andam e correm. Quando chove, os bichos-de-conta (aqueles que se enrolam ao toque) saem da erva. Destemidos, atravessam os curtos caminhos de alcatrão, verdadeiras auto-estradas de cem faixas de rodagem para o pequeno animal. Aceitam-se apostas.

domingo, outubro 22, 2006

Schumacher = Ferrari

Estou chateado. A chuva sem tréguas não tem nada a ver com o assunto. O motivo é tão fútil quanto isto: a retirada do Schumacher da Fórmula 1.
O Público de hoje chama-lhe a despedida do «mais odiado campeão de sempre». Nunca o vi como tal. Depois da morte de Ayrton Senna, numa altura em que os carros que atingem 300 km/h fascinavam pouca gente, e nunca tendo gostado particularmente de carros e motores, comecei a ver Fórmula 1. Ou melhor: o difícil regresso da Ferrari aos títulos, depois de duas décadas a ver carros não-vermelhos ganhar, numa espécie de Sporting das quatro rodas.
O alemão, ajudado pela nacionalidade, além de algumas atitudes menos desportivas em pista, era visto como um arrogante, sem escrúpulos, que tudo fazia para ganhar. Antes, tinha abandonado um carro (Benetton) que durante dois anos (1994 e 1995) o conduzira a vitórias, para guiar o mito italiano derrotado há décadas.
Sem carro para ganhar, durante quatro anos Schumacher perdeu. Mas dava luta, deixando-me pregado à televisão, mesmo a altas horas da madrugada, quando o campeonato se decidia do outro lado do Mundo.
As tardes e noites em frente à televisão mantiveram-se até um nascer do sol (em Lisboa) de 2000, quando finalmente a Ferrari, que para mim já era sinónimo de Schumacher, regressou aos títulos.
A partir daí, o interesse pela Fórmula 1 desceu. O desporto tornou-se monótono e as vitórias do carro vermelho passaram a ser a aborrecida mas simpática norma.
Depois de um regresso às derrotas no campeonato passado, este ano o alemão do carro vermelho voltou a lutar pelo título. De madrugada, voltei a acordar para ver carros darem dezenas de voltas a uma pista de alcatrão.
Um estranho motor rebentado estragou as contas para a corrida final da carreira. Ninguém é insubstituível, mas Ferrari e Schumacher deixarão de ser sinónimos. Dificilmente volto a ver Fórmula 1 com o mesmo interesse.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Ciência, ficção ou desejo?

A raça humana pode dividir-se em duas e o amor desaparecer. A teoria é de um cientista da London School of Economics, citado pela BBC e Sol. Passará a haver uma raça com seres altos, magros, atractivos, inteligentes e criativos e outra oposta, de feios e anões.
Os homens terão «rostos mais simétricos, aparência atlética, vozes mais graves e pénis maiores». As mulheres terão uma «pele sem pêlos, grandes olhos claros, seios de dimensões avultadas e cabelo lustroso». Haverá uma tendência para a cor de pele convergir para a mesma tonalidade, mulata, «atenuando as divergências raciais».
Características sociais, como a comunicação, a interacção, e sentimentos como «o amor, a simpatia, a confiança e o respeito», podem desaparecer. «As pessoas deixarão de se preocupar tanto com os outros e passarão a ser mais individualistas».

terça-feira, outubro 17, 2006

Casa Pia

Uns falam em «amiga colorida» (aqui). Outros (24 Horas, sem link) dizem que «Hugo Marçal levou mais uma amante para o defender em tribunal».
Como um caso de violação de putos sob a responsabilidade do Estado se transformou numa palhaçada sem interesse.

domingo, outubro 15, 2006

Por alguma razão lhe chamam azul.
Lagoa Azul, Sintra - onde a água nem sempre é verde

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sábado, outubro 14, 2006

A frustração

Saber de uma história há três dias, não ter onde a publicar e vê-la ser manchete no Público e citada por vários órgãos de comunicação social.

quinta-feira, outubro 12, 2006

O triunfo da imaginação

Os criativos do Vaticano reuniram-se durante cinco dias e acabaram com o limbo. As crianças sem baptismo deixam de ficar num lugar de fronteira entre o céu e a terra, onde "não usufruem da presença de Deus (mas também não sofrem)", para estar "nas mãos misericordiosas" do senhor da maiúscula.

domingo, outubro 08, 2006

Quando a Lua se alinha com o Sol

Marés vivas: a máquina estava na mala, mas o tempo ("bom" demais) não ajudou. Ficou a imagem (mental) da água acima da margem.

sexta-feira, outubro 06, 2006

À portuguesa

Sequestrador de banco dormia no momento do resgate dos reféns, enquanto escutava música clássica. O homem nem reagiu. (A ler no JN)

quarta-feira, outubro 04, 2006

O Bloco e os números

O Bloco de Esquerda é pequeno. Já foi mais, mas ainda é insignificante na contabilidade partidária do parlamento, apesar dos oito deputados (em 230) que conseguiu ganhar nas eleições de 2005. Nada deixou de ser aprovado na Assembleia da República porque os bloquistas não quiseram.
Mas a política não são só números. Olhem para o Diário de Notícias de hoje: «BE avança com inquérito parlamentar ao 'Envelope 9'»; «BE diz que nem cardeal quer "lei horrenda"»; «BE quer que hospitais e centros de saúde sejam obrigados a afixar o tempo que cada utente terá de esperar por uma cirurgia, um internamento, uma consulta ou um exame». Um dia, três notícias.
O exemplo não é totalmente normal. A marcação da agenda mediática pelo pequeno Bloco de Esquerda não é incomum, desde 1999, quando o partido da estrela vermelha elegeu dois deputados e teve 2,44 por cento dos votos. Nenhum estudo o prova, mas a importância noticiosa dos bloquistas é bem maior do que os números fariam prever.
Falta a explicação do fenómeno. A primeira vira-se contra os jornalistas: a maioria são de esquerda e gostam das ideias do BE. A segunda salienta o trabalho do grupo parlamentar de um partido que faz algo que os outros não conseguem: ter um trabalho relevante com os seus deputados.
A resposta certa estará algures no meio.

terça-feira, outubro 03, 2006

Percebo que estou velho quando um tipo de 14 anos me diz: «podx kolokar as kestoes k kiserx».

Volta atrás

A minha avó está chocada. «Como é possível?!».
Até aos 20 e tal anos, as pessoas crescem. Centímetro após centímetro, reflectidos numa parede (riscada) lá de casa ou no Bilhete de Identidade. Há uma altura em que param e se espera que seja para sempre.
Algures, já tinha lido que a partir de determinada idade os velhotes diminuem. A minha avó ouviu o mesmo e há tempos disseram-lhe: «Você está mais pequena.»
Metro na mão, regresso à infância, prova dos nove. Contas feitas: 1 metro e 45 centímetros. O BI diz vitalício e tem 1,52.

domingo, outubro 01, 2006

A ordem dos jornalistas e o mau jornalismo

Nove da manhã. As câmaras de televisão passeiam-se pelas portas de um qualquer centro de saúde, mostrando uma fila infindável de pessoas de ar frustrado, velhos e novos, com senhas na mão. Algumas trazem crianças pelo colo. A pseudo-jornalista procura a pessoa com o ar mais revoltado e ataca: “Sabia desta greve?”. Segue-se o habitual rol de críticas, cuidadosamente registadas para passar no jornal da uma. Este ritual repete-se de meses a meses, em hospitais, escolas, transportes públicos. Sempre que há uma greve a TV está lá, os jornais noticiam, a rádio dá voz às queixas. É difícil não me lembrar de uma greve importante que não tenha sido visionada, registada, discutida. À posteriori. Os mesmos que, como aves carniceiras vão às seis da manhã para os centros de saúde entrevistar velhotes revoltados são os que no dia anterior se esquecem de noticiar a greve, numa clara manobra para aumentar o seu impacto. Anunciar a greve não dá peças para o dia seguinte, esquecê-la, com sorte, ainda dá uma história de uma consequência grave.

Este é um dos exemplos do jornalismo que possuímos actualmente. Numa idade em que a informação é entretenimento, sobretudo um subproduto de uma cultura de influência que vive pelo lucro, já não há muitos bons exemplos de bom jornalismo e bons jornalistas.

Isto leva-nos à questão da ordem. Informação é poder. Este chavão faz cada vez mais sentido nos dias de hoje. Há claramente jornais de esquerda e de direita, jornalistas com uma ou outra filiação política, doutrinária, sexual. E depois há o grande motor da informação, os estagiários. Metade nem falar sabe, saídos da escola com um curso de comunicação social ou de jornalismo, que vale tanto para a profissão como saber limpar sanitas. A outra metade até escreve benzinho, mas é rapidamente integrada numa das muitas “esferas” das redacções. Resultado, em 100 gajos safa-se um. Os outros são parte integrante e contribuem para o grande lixo. A maioria está ilegal. Mas também pouco importa porque a carteira só serve para pedir acreditação em eventos e ter antivírus à borla, para a perder é preciso uma echatombe.

Com os estagiários, mas também com os preguiçosos, pouco criativos e muito acomodados jornalistas do quadro vem a questão da ignorância e da preguicite aguda em investigar um bocadinho sobre aquilo que se vai falar. São enganados, falam do que não sabem, prestam um mau serviço. Um amigo meu, árbitro de futebol nas categorias inferiores, disse-me que um dia a federação tinha organizado em Lisboa um seminário para jornalistas desportivos, a explicar as muitas alterações às regras e às formas de arbitrar. Não apareceu nem um. Quando falam de tecnologias rio-me, quando falam de justiça choro porque aí a estupidez é mais consequente. Como aquela dos “calabouços da Judiciária” que um inspector da PJ me disse “aquilo nem tem nada a ver connosco, só fica no edifício ao lado. Nem nos deixam lá estacionar o carro”. Por facilitismo mas por muito laxismo as coisas não são bem ditas, as informações ficam mal dadas, o público que de alguma maneira está a pagar é prejudicado. Mas infelizmente a estupidez e o mau serviço não são causa para perder a carteira ou ter alguma sanção importante.

Que mecanismos existem para controlar a informação em Portugal? A AACS? Quando a RTP2 esteve para fechar e magicamente surgiam notícias contra o governo, umas atrás das outras, onde estava ela? Quando não são respeitados os princípios de imparcialidade na informação, que medidas são habitualmente tomadas? Mais grave do que a ignorância geral que grassa em 95% dos jornalistas portugueses (e estou a ser generoso) é o facciosismo que graça em diversos quadrantes. Ainda hoje vi uma reportagem na SIC, feita por um mariconso qualquer da opus dei, que mandava abaixo um livro que defende a tese de assassínio do papa João Paulo I. Não sei se é verdade ou mentira, mas sei que o jornalista a cobrir o evento, com evidentes laços à igreja católica como demonstrado em inúmeras reportagens anteriores nessa área, não devia insinuar que se trata de uma manobra propagandística, um livro baseado em factos não verificados para aproveitar “os códigos da moda”.

E tantos exemplos há. Nem vale a pena irmos para a “imprensa” cor-de-rosa, que nem devia estar registada como tal, que mente semanalmente com o descaramento e impunidade do mundo de papel que relata. Se ao menos tivéssemos uma ordem que pudesse punir e responsabilizar os maus jornalistas pelo mau trabalho, poderíamos ter um desemprego enorme na classe, mas certamente que o país ganhava. É que informação é poder, já o sabemos. Mas hoje em dia, “informação” é para muitos o que têm de mais parecido com “instrução”.

PS: Ao menos nisto não somos especialmente inovadores, nem nos destacamos pela negativa. Alias, ainda não chegamos à excelência manipuladora da Fox ou da ABC. Mas para lá caminhamos.