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terça-feira, janeiro 31, 2006

A Herança



Essa força da natureza que é o Carlos Malato chega agora com um novo programa, um concurso, definido pela página da RTP (aqui) como "O concurso de maior sucesso das televisões públicas de toda a Europa". Ao princípio não percebi muito bem o que isto queria dizer, mas obrigado que estava a ver o concurso até ao fim (estava em casa dos sogros, pelo que não tive grandes hipóteses) compreendi finalmente o mistério. Mas já lá iremos.
O programa é uma espécie de "O elo mais fraco" em que os concorrentes, quando erram, podem passar a batata quente a outro - se este errar uma pergunta, o que lhe passou a batata fica com o seu dinheiro acumulado (a "herança") e vê o outro ir-se embora. Se o gajo a quem a batata quente for passada responder correctamente, dá-se o processo inverso. Até aqui tudo bem. Este processo vai cereando o número de concorrentes, até que ficam dois, a jogar um contra o outro e no final fica o que tiver mais dinheiro. Parece lógico. O que não é nada lógico é o jogo final, em que o concorrente tem de adivinhar um termo/conceito/nome fechado num envelope, com base em cinco pistas. Cada pista dada pelo apresentador tem duas hipóteses contrárias, uma certa e a outra obviamente errada. A cada escolha errada da pista o concorrente perde metade do dinheiro que tem. Exemplificando, o concorrente hoje, o "Miguel" (creio que foi o primeiro programa) tinha 130 mil euros. As pistas que foram dadas: 1 - Direito/Esquerdo (escolheu esquerdo, era direito), 2 - Pacífico/Atlântico (era pacífico, escolheu a outra), 3 - George Bush/George Orwell (escolheu Bush, errado), 4 - 1869/1969 (escolheu erradamente a segunda), 5 - Richard Gere/Richard Attenborough (escolheu a segunda correctamente). A cada erro foi perdendo metade do dinheiro que fazia pena, acabando a ronda das pistas com uns miseráveis 16 mil e poucos euros, que com 50% de impostos em cima não dão em nada. Mas o pior ainda estava para vir. Para ganhar finalmente o suado dinheiro tinha de agarrar neste conjunto de pistas completamente arbitrárias à vista da maioria e escrever a palavra que estava no envelope. O pobre moço que trouxe os pais para a assistência não fez mais nada que deixar o cartão em branco e francamente não o censuro. A palavra no envelope, aberto com pompa e disfarçada triste circunstância pelo Malato era, pasmem-se "Ghandi". A explicação: "Ghandi tirou o curso de DIREITO em Inglaterra, nasceu em 1869, na India tal como GEORGE ORWELL, era PACÍFICO, e teve direito a um filme rodado por RICHARD ATTEMBOROUGH. Mas que diabo! Já não bastava as pistas serem completamente idiotas e ser necessário um índice de cultura geral ao nível de um professor universitário, ainda tinham que utilizar técnicas de intoxicação idiotas como "Direito/Esquerdo" ou mais escandalosamente "Pacífico/Atlântico"??? Tinham ainda que a cada pista cortar metade (METADE!!) ao homem, para baixar ao máximo as possibilidades de levar muito dinheiro à impossível pergunta final? Mas fez-se luz: "O concurso de maior sucesso nas televisões públicas" - PÚBLICAS! Aí está! As TVs públicas têm de ter dinheiro para ser mal gasto, sustentar montes de gente na prateleira e ainda ter arcaboiço para aguentar com os constantes erros estratégicos crassos, não podem andar por aí a dar dinheiro!! Concursos como o "Quem quer ser milionário" foram sucessos de audiência e ajudaram, acredito, a ensinar algumas coisas ao português comum. Agora este aborto vai muito possivelmente falhar. É desinteressante e estupidamente difícil, sobretudo para os valores em questão. E as audiências são burras mas gostam de ser entretidas e não há entretenimento em percorrer um campo minado e perder um membro a cada passada (pelo menos para a maioria). É uma pena, porque o Malato até gera empatia com concorrentes e público, mas não vai ser este certamente o auge da sua carreira televisiva.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A vida difícil de um político

Sílvio Berlusconi, proprietário do AC Milan, «playboy» italiano e primeiro-ministro do país de onde vêm as pizzas, promete «dois meses e meio de absoluta abstinência sexual» para ganhar votos nas eleições legislativas.

domingo, janeiro 29, 2006

Neve em Queluz

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sábado, janeiro 28, 2006

És tímido? Tens medo de falar perante uma plateia? Estudos científicos mostram que o sexo ajuda a falar em público e a efectuar cálculos matemáticos em voz alta. Mas a mão amiga não chega: apenas a penetração potencia um discurso bem sucedido.
«Dá-lhe com força»: o preservativo que te ajuda a pensar.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Trinta e dois metros de diâmetro escondidos na base de um vale da Sintra rural. Pelo Centro de Comando de Satélites do Continente, inaugurado em 1974 e com 20 antenas de médio e grande porte, passam boa parte das comunicações nacionais.

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segunda-feira, janeiro 23, 2006

Portugal lá fora

As presidenciais vistas pela Eurovisão:
«The Presidential elections in Portugal turned into a disappointment for Manuel Alégre, who was the author of Uma flor de verde pinho, representing Portugal at the 1976 Eurovision Song Contest. After the first exit-polls, it appeared he came second with only 20% of the votes. Cavaco Silva won the elections.»

E uma piada vinda directamente de Itália:
Come si scrive “sinistra umiliata” in portoghese?
Semplice : Anibal Cavaco Silva.

Cavaco à primeira. Alegre na segunda. Soares nos 14. Bandeiras e fonte luminosa laranja

Depois da visão futebolística da campanha, uma tentativa de análise séria dos resultados eleitorais.

Cavaco: Muitos detestam o professor. Mas outros tantos amam-no. Em breve, será o Presidente de todos os portugueses, porque mais de metade dos que votam, votaram nele. Por 32 mil votos, ganhou as eleições na primeira volta. Já se esperava, mas a vantagem acabou por ser escassa face às sondagens. Os indecisos foram-se decidindo sobretudo para a esquerda e para Manuel Alegre. Mais dois dias, e Portugal arriscava-se a ter mais 15 dias de campanha. O resultado final acabaria por ser o mesmo. A segunda volta serviria apenas para encarecer as eleições e divertir o país com o inevitável apoio do PS ao candidato rejeitado.

Coabitação: A convivência entre Cavaco Silva e José Sócrates não será fácil. Ambos têm um feitio difícil, com tiques de arrogância, parecendo nunca admitir que alguém os contrarie. Apesar de o Presidente só servir para responder «sim» ou «não», em vez de «vai por aqui ou por ali», o novo inquilino do Palácio de Belém já disse: «Quero que o Governo governe bem!».

Alegre: Dizer que o deputado poeta era um candidato sem partido, é falso. A máquina socialista não estava com ele, mas uma boa parte dos que o seguiam vinham desse mesmo aparelho habituado a organizar candidaturas. Mesmo assim, é obra conseguir um quinto dos votos e bater o candidato indicado pela força política que há meses ganhou uma inédita maioria absoluta.

Soares: Nunca convivi enquanto ser minimamente pensante com Mário Soares no governo ou na presidência. Mas é uma pena que o homem que um dia foi chamado de «pai da Pátria» acabe a carreira política com 14 por cento dos votos. A culpa é sobretudo do próprio, que foi mais papista que o Papa, e confiou demais no seu valor, apesar da avançada idade, que merecia ser alvo de uma sondagem própria como factor de recusa para votar em Soares. Espero que o desaire eleitoral não afecte a saúde do velho socialista, que aos 81 anos demonstrou uma energia impressionante... mas inútil.

Jerónimo e Louçã: Os candidatos presidenciais/líderes partidários tiveram destinos diferentes. Quase ninguém reparou – pelo discurso de ontem, nem o próprio –, mas Francisco Louçã e o seu sempre crescente Bloco de Esquerda, perderam votos – quase 80 mil face às legislativas. Noutro extremo, o PCP e o seu secretário-geral operário (num tempo em que estes mal existem nas fábricas) reforçaram uma votação que já em Fevereiro tinha sido boa.

Pequenos candidatos: Por razões sobretudo burocráticas e que parecem ter como único objectivo manter o monopólio dos partidos na vida política, sete candidatos sem raízes partidárias foram excluídos de ontem aparecer no boletim de voto das eleições presidenciais. Nada de anormal na nossa democracia, mas que neste caso pode ter tido algumas consequências: Cavaco ganhou à primeira por apenas 32 mil votos...

Sondagens: De uma forma geral, as sondagens portaram-se bem. Se confirmarem aqui, podem ver que nenhuma das realizadas antes das eleições pôs Cavaco Silva numa segunda volta. E mesmo que isso tivesse acontecido, não seria um escândalo: muitos eleitores decidiram o voto perto da ida às urnas. Apesar dos 346 mil votos que separaram Soares e Alegre nas eleições (6,38%), as intenções de voto entre os candidatos ligados ao PS foram sempre muito flutuantes, o que justifica as diferenças nas sondagens. Menos justificáveis parecem os números da Eurosondagem, o único instituto ou empresa que colocou sempre Soares à frente de Alegre, com vantagens que chegaram aos 8 por cento...

Comentadores políticos: Durante meses, e contra todos os inquéritos de opinião, a maioria dos especialistas disseram: «Alegre está à frente agora, mas a luta final será entre Cavaco e Soares». Não foi. As campanhas parece que valem muito pouco nos dias que correm, e o ex-Presidente levou uma tareia digna de um candidato de segunda linha. Mesmo assim, durante os meses da longa e decisiva pré-campanha, e com base nessas mesmas análises infalíveis, Manuel Alegre foi remetido para segundo plano nos media. Se alguém tiver dúvidas, consulte este link da Marktest. Nas 21 semanas pré-eleições analisadas pela empresa de sondagens, Cavaco Silva teve 19 horas de notícias. Alegre 17 horas. E o candidato dos 14 por cento, 26 horas. Como com Santana Lopes no ano passado, o nome que mais tempo esteve na televisão acabou trucidado nas urnas.

Bandeiras: Nunca como ontem vi tantas bandeiras do PSD e do CDS-PP num discurso de Cavaco Silva.

Fonte luminosa: Porque razão é que a magnífica fonte luminosa em frente ao CCB teve quase sempre uma estranha cor laranja em quase todos os directos de ontem à noite?

sábado, janeiro 21, 2006

Reflexões

Hoje é dia de reflexão. Até às 20 horas de amanhã, no fecho das urnas, ninguém apela ao voto ou fala de eleições, além das imagens dos candidatos a colocar o tradicional papel dobrado numa mesa eleitoral.
Compreendo que os eleitores não devem ser perseguidos até ao momento de votar, por uma qualquer máquina partidária sequiosa de votos. Mas não encontro razões para este período de nojo, numa espécie de luto pelas semanas ou mesmo meses a ouvir repetidamente políticos sem grandes ideias.
A lei eleitoral apenas diz que «Aquele que no dia da eleição ou no anterior fizer propaganda eleitoral por qualquer meio será punido com prisão até seis meses e multa de 500$00 a 5.000$00».
A legislação não específica o que quer dizer com «propaganda». Mas há muito que o dia de hoje fica marcado por um vácuo noticioso sobre as eleições. As festas de encerramento das campanhas (ver post anterior) acabam por não ter qualquer impacto nos eleitores. Os blogs quase que ficam mudos e os nomes dos candidatos desaparecem dos motores de busca.
Se a Comissão Nacional de Eleições tivesse mais do que 12 funcionários ou alguém apresentasse ali uma queixa, o Ravelis e eu arriscávamo-nos a ser alvo de um processo-crime no Ministério Público, ao lado de criminosos famosos.
Nas últimas legislativas, foram sete as queixas apresentadas na CNE: por exemplo, contra a SIC-Radical pela transmissão do programa Curto Circuito em período de reflexão; ou contra o PND por envio de mensagem de apelo ao voto por telemóvel. Ambos os casos acabaram no Ministério Público.
Mas o caso mais conhecido foi protagonizado pelo agora candidato Mário Soares, num apelo ao voto no PS. A história também acabou no órgão de investigação criminal, num processo contra o ex-Presidente, mas também contra a RTP, por ter transmitido imagens captadas perto da mesa de voto de Soares. A lei proíbe que isso aconteça, quer no interior da assembleia, quer no exterior dela, até à distância de 500 metros. Quero ver quantas televisões respeitarão amanhã esta regra.

PS. Se tivesse que apostar, aqui fica o meu prognóstico eleitoral: Cavaco Silva acima dos 49 por cento, mas sem atingir os necessários 50% mais um voto. Alegre à frente de Soares.

Fado, futebol, Portugal e Cavaco

O Benfica perde por um golo com o Gil Vicente. Numa nova versão do célebre «Onde está o Wally?», a maior dúvida que percorre as conversas de quem está nas bancadas do Pavilhão Atlântico passa por saber «onde está o Cavaco?», algures perdido na base do multiusos, recheada de mesas onde centenas de pessoas jantam e encerram a campanha eleitoral.
Atrás de mim, descubro que o Benfica empatou em Barcelos. Um apoiante do professor grita Cavaco e ouve a bola no rádio escondido entre a camisa. O apresentador do espectáculo faz sucessivos apelos ao voto no «Senhor Professor Aníbal Cavaco Silva».
As massas nas bancadas, sedentas por venerar um líder que os guie no incerto futuro, gritam o nome do ex-primeiro-ministro cada vez que este aparece nos écrans gigantes. Kátia Guerreiro canta dois fados. A organização distribui bandeiras. O azul da campanha presidencial perdida de 1996 foi substituído pelo verde e vermelho do principal símbolo do país, com uma simples inscrição no meio: «Portugal Maior».
No meio das bandeiras ao alto, algumas destacam-se: pelo laranja garrido; pelo empoeirado azul de há dez anos; pelos símbolos monárquicos; ou pela catana da bandeira de Angola... A equipa de Ronald Koeman passa para a frente do marcador.
Um cantor que desconheço completamente apela ao voto no «professor»: «Falta amor a Portugal», argumenta. Isabel Silvestre canta «ó rama, ó que linda rama». O speaker do Pavilhão Atlântico, que fica longe de encher, garante que os «nossos filhos não nos iriam perdoar» se no dia das eleições alguém ficasse em casa. No Domingo, o país será «reinventado».
O «senhor professor» sobe ao palco. As bandeiras agitam-se ainda mais do que o anormal do costume, e os gritos de «Cavaco à primeira» soltam-se ainda mais alto. O jogo de Barcelos acaba com 3-1 a favor do clube da Luz.

Em quem votar?

Terminou há momentos a campanha e eu já sei em quem vou votar.

Para que fique bem claro, vou votar em Manuel Alegre. Prefiro dar o meu voto à esquerda política, com a qual me identifico mais do que com a direita burguesa e elitista. Mas mais do que dar o voto à esquerda, dou o meu voto ao homem que me safou da possibilidade de, pela primeira vez em doze anos, ser considerado, ainda que pontualmente, uma estatística do eleitorado de direita.

Vamos por partes e por candidatos

Mário Soares - Jamais votaria nele. Sempre que o vejo falar, e este é um sentimento há muito entranhado, não consigo acreditar numa só palavra. Acho-o um enganador, um chico-esperto, que soube aproveitar muito bem a empatia que criou junto dos menos instruídos à pála do 25 de Abril. Se a eleição fosse entre ele e o Prof. Alexandrino, num mano a mano, eu até fazia campanha pelo firme e hirto. Aconselho-o vivamente a calçar umas pantufas e a enrolar-se numa mantinha. Pobre escolha a de Sócrates... e calculo como ele deve estar arrependido.
Podem não ver uma única razão válida para dizer que não voto no homem mas eu confesso que também não encontro nenhuma para lhe dar o meu voto. Até aquela história de que ele fala de que o governo de Cavaco foi isto e aquilo eu só pergunto: E quem era o PR na altura? Pois, se na altura não fez nada agora iria contradizer o homem que lhe possibilitou mais uma bela dose de adrenalina?

Francisco Louçã - Sabe tanto de marketing que gostava de ser irmão siamês de todas câmeras e microfones deste mundo. Já teve o que que pretendia: tempo de antena. Vai ficar atrás de Jerónimo e, digo eu, ainda bem. Belo debate com Cavaco Silva. Um pouco menos de agressividade e a coisa tinha saído perfeita.

Jerónimo Louçã - Não sou comunista e, muito sinceramente, ele também não deve ser. Adoro os seus rasgos, os seus golpes de asa que transformam incidentes em momentos capitalizáveis em votos. Aquela cara, aquele sorriso, não podem ser de um comunista. Admiro a maneira cativante como se expressa. Abro uma garrafa de champanhe se ficar à frente de Mário Soares.

Cavaco Silva - É, sem dúvida nenhuma, o candidato com mais perfil de PR. É polido, educado, não baixa o nível, trata por tu muitos políticos importantes na esfera europeia e mundial, sabe de economia e, por último, tem facilidade em línguas. Não tem o meu voto porque Alegre se candidatou e também porque o seu ar sisudo perspectiva a possibilidade de por trás daquela cara estar um ditador de meia-tigela do estilo "eu raramente tenho dúvidas e nunca me engano". Corre o risco sério de ver a história repetir-se 10 e 20 anos depois. Nos históricos confrontos a dois entre esquerda e direita, Soares e Sampaio levaram a melhor sobre Freitas e... Cavaco.

Manuel Alegre - Tem o meu voto, como já disse. A sua, actual, não ligação partidária, o romantismo com que tem estado na vida, os seus poemas e o duelo com Mário Soares são os pontos a favor. Mas há coisa más. Por exemplo, como pode Manuel Alegre atacar agora o sistema se ele foi o sistema durante 30 anos? Como pode Manuel Alegre por em causa situações que passaram na Assembleia da República com o seu voto? Há muita coisa mal explicada, mas o seu ar de pessoa séria e ternurenta fez-me decidir. Será engraçado vê-lo em Belém na habitual reunião das terças com José Sócrates. Muito engraçado mesmo, tão engraçado como o seu provável regresso ao parlamento depois de amanhã. Nunca será um PR com uma imagem para ultrapassar fronteiras.

O meu palpite - Cavaco ganha à primeira com pouco mais de 50%.

O que eu espero - A segunda volta com Cavaco e Alegre e ver Sócrates confessar o seu apoio a Alegre.

PS - Não falo de Garcia Pereira porque não falo do que não existe

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O futebol da política

No país do futebol, uma análise futebolística da campanha presidencial que hoje termina:

Cavaco Silva: Forte e alto defesa-central, sempre seguro a defender e com a vitória quase certa, recusou-se sempre a atravessar o meio-campo para atacar o adversário.

Mário Soares: Possante atacante socialista e antiga estrela maior do campeonato nacional, foi impiedoso com o líder da classificação, na única vez que o apanhou pela frente. A veterania nos relvados levam-no a disputar um lugar secundário na sua última época.

Manuel Alegre: Original jogador socialista, cheio de metáforas e palavras bonitas nas conferências de imprensa, saiu da antiga equipa revoltado com o treinador que o queria colocar no banco de suplentes. Garante que joga sozinho, mas tem boa parte do antigo plantel rosa atrás.

Jerónimo de Sousa: Com origem nos campeonatos humildes do país, é um dos mais aplaudidos da época, mesmo entre quem não vota na sua equipa. Simpático, relaciona-se muito bem com os adeptos fora dos relvados, distribuindo beijinhos, abraços e vastos sorrisos com um ar sincero. Consegue encher estádios, mas sabe que nunca será campeão.

Francisco Louça: Principal jogador de uma pequena equipa, teve, como sempre, um vasto tempo de antena para mostrar a sua larga criatividade em campo. Com muito treino e preparação das suas milimétricas jogadas, é o número 10 deste campeonato.

Garcia Pereira: Veterano excluído do campeonato dos grandes, apenas jogou os últimos 15 minutos do encontro. Com pouco tempo de exposição nas câmaras de televisão para mostrar as suas capacidades, ficará inevitavelmente no último lugar da tabela classificativa.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

O que têm em comum Madonna, Jerónimo de Sousa, o Circo de Pequim, Cavaco Silva, o cavalo lusitano, Manuel Alegre ou os Dzrt? No final desta semana, todos terão actuado no Pavilhão Atlântico.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Notícias do dia (de ontem):
Sobral de Monte Agraço já tem um barricado.
«Frio leva domadores russos de elefantes a misturar meio quilo de vodka na ração diária dos animais», garante José Milhazes em directo na SIC.
Mais uma família portuguesa em dificuldades: Nuno Gomes multado em 450 euros pela Liga de Clubes.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Finlândia e Portugal

Dentro de seis dias há eleições em Portugal. Cerca de cinco milhões devem sair de casa para eleger um novo Presidente.
Há dois dias, houve eleições na Finlândia. Também aí, os eleitores andam a tentar escolher um chefe de Estado. A candidata (sim, uma mulher) que tenta a reeleição, tinha uma grande vantagem nas sondagens, mas não teve mais de 50 por cento dos votos e terá de disputar uma segunda volta dentro de 15 dias, sendo apontada como a grande favorita à vitória.
Apesar de estarem em pontas diferentes da Europa, não apenas geograficamente como em desenvolvimento socio-económico, a Finlândia tem um dos regimes políticos mais parecidos com o português – talvez o mais semelhante mesmo. Também ali há um Presidente eleito directamente, que convive com um primeiro-ministro e um Governo escolhido nas legislativas.
Com o tempo e as revisões constitucionais, também o chefe de Estado finlandês foi perdendo poder. Hoje, terá tanto ou talvez menos do que o seu homologo português. Pode vetar leis, por exemplo, mas não pode dissolver o Parlamento. O político mais influente do país é hoje o primeiro-ministro. O Presidente é visto como um líder simbólico.
No entanto, também no país do Pai Natal a eleição presidencial tem sido bastante movimentada. Um relato do que se tem passado por aqueles lados do mundo pode ser lido aqui.
Sete dos oito candidatos foram nomeados pelos partidos finlandeses, mas estes desempenham um papel secundário. E os eleitores sabem que, apesar de o Presidente não ter poder para alterar as suas vidas, as eleições são directas e podem exercer uma muito maior influência nas presidenciais do que nas legislativas.
Também na Finlândia houve debates televisivos considerados «cruciais» pelos analistas, acções organizadas por cada candidato à volta do país e livros/biografias lançadas pelos próprios. A campanha arrasta-se desde a Primavera, mas os temas de debate também por ali são poucos, centrando-se nas qualidades dos candidatos. Os poderes do Presidente e o seu papel na política externa, terá sido o assunto mais quente.
Ao contrário da eleição de Cavaco Silva, a provável reeleição de Tarja Halonen (a actual Presidente) suscitou alguma atenção internacional. Nomeadamente do talk-show americano de Conan O’Brien, que depois de mostrar no programa uma foto da chefe de Estado finlandesa para mostrar as semelhanças que os uniam, manifestou o seu apoio à eleição da «simpática» advogada que se casou quando já morava no palácio presidencial.
Apesar das semelhanças entre os regimes português e finlandês, há um ponto em que as eleições presidenciais dos dois países se distinguem claramente: a idade dos candidatos.

Finlândia
Tarja Halonen - 62
Matti Vanhanen - 50
Sauli Niinistö - 57
Média - 56,3

Portugal
Manuel Alegre - 69
Mário Soares - 81
Cavaco Silva - 66
Média - 72,0

Nenhum dos três principais candidatos à presidência finlandesa – nem a recandidata Tarja Halonen –, se aproxima da idade de algum dos presidencializáveis portugueses.
Não estou a dizer que a classe política nacional é velha (se olharmos para o Governo, não é) ou que isso seja importante para o seu desempenho. Apenas constato que a eleição presidencial portuguesa tem algo de estranho.


(Catedral luterana de Helsinquia. Foto tirada em Outubro passado. Mais informações sobre a Finlândia neste blog aqui.)

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Porcos às cores

Ainda não anda de bicicleta... mas quase. Este é um dos três porcos transgénicos verdes criados por uma equipa de investigadores da Universidade Nacional de Taiwan. Já existem porcos parcialmente verdes em vários locais do mundo, mas estes são os únicos verdes por dentro e por fora, incluindo coração e todos os órgãos internos. Os cientistas injectaram uma proteína verde fluorescente nos embriões dos animais. Se os sportinguistas descobrem a técnica...


(A foto é da AP e foi roubada ao Público)
Afinal ainda há virgens.

Na cauda da Europa, mas não do Mundo

domingo, janeiro 15, 2006










Também quero neve em Lisboa!
Serra da Estrela, Fevereiro de 2005

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quinta-feira, janeiro 12, 2006

É impressão minha, ou Mário Soares parece estar a ficar mais novo?

10/11/2005







10/11/2005





10/11/2005





14/12/2005







10/01/2006

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Priceless II

O Cavaco a ignorar as declarações do Santana será provavelmente o acontecimento da semana.

Putos e um russo

Lisboa é uma «aldeia grande», com um atraso de «20 anos relativamente a Moscovo, onde as crianças não têm um jardim para brincar à vontade. O passatempo dos miúdos é ver televisão».
Karyaka, jogador russo do Benfica, em entrevista ao Sovietsky Sport

Apesar do exagero, teve de ser um profissional do pontapé na bola a dizer algo que é óbvio. Podem começar a contar os putos que vêem a brincar na rua em Lisboa ou arredores. Os dedos de uma mão chegam.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Democracia

Dia 22 de Janeiro de 2006. Algures num consulado português em Zagrebe ou Tunes, aberto e a pagar horas extraordinárias aos funcionários:

Eleitor - «Olá. Vim votar.»

Funcionário público - «Então é você!».

Os consulados da capital da Croácia e da Tunísia são os únicos que têm apenas um eleitor com direito a votar nas próximas presidenciais portuguesas. Seguem-se Argel e Banguecoque (com dois), além de Bucareste e Teerão (com três).

Priceless

Estava a fazer zapping e passei pela RTPÁfrica. Estava a dar um filme de pretos, dos anos 70, com uns nativos a fazerem um ritual no meio da selva... "Tell to my father that today I will become the king of Amazulus" dizia um preto semi-nu cheio de penas e com uma lança na mão. Lindo.

Compreendo e até apoio o esforço da RTP para socializar os negros e mostrar-lhes um pouco da sua cultura. Mas mais uma vez se prova a incompetência de quem trabalha naquela estação: um programa sobre rap ou uns vídeos da MTV ficavam mais baratos e reproduzia mais fielmente os gostos e a cultura dos pretos de hoje em dia. Os negros europeus identificam-se tanto com as tribos como os brancos com os sistemas feudais.

PS: O mais engraçado é que o filme até era bom, melhor do que a média dos que passam na "Lotação esgotada".

domingo, janeiro 08, 2006

Benfica, autocolantes e dentes

21h22. À hora marcada, o comboio estava atrasado. Dois minutos depois, chegou à estação de Benfica.
É domingo, e a Linha de Sintra vai cheia. O SLB ganhou 2-0 ao Paços de Ferreira e vêem-se camisolas e cachecóis vermelhos. Uma voz de mulher carregada de sotaque africano levanta-se no ar: «Não tá vendo o desenho!», grita a mãe com um puto ao colo. Sentada no lugar destinado a inválidos, idosos e senhoras com barriga grande ou crianças pequenas, uma branca de meia-idade garante que não viu. «O autocolante costuma estar no vidro», justifica, recusando-se ao mesmo tempo a sair do lugar – «Também paguei bilhete!».
A negra começa aos berros. A vizinha ao lado da branca que se recusa a levantar, acaba por ceder o seu banco. Mas a mãe que se viu privada do direito de estar sentada, continua a gritar. Desta vez, ao ouvido do alvo das críticas, para delírio da extensa plateia à volta: «Não sabe ler, pergunta!» (...) «Você teve muita sorte da sua amiga dar o lugar. Não abre a boca, que eu te mato aqui.» (...) «Ainda vais sair daqui sem dentes.»
Ao fim de uma intensa troca de bocas, a branca calou-se e durante várias estações não deu um pio. Até Queluz, os dentes continuavam no sítio.

sábado, janeiro 07, 2006

História do Jardim dos Candeeiros e das posições que lhe trocaram o nome

Durante anos, Queluz teve um espaço vazio que deveria ser um jardim. Como quase tudo em Portugal, as obras arrastaram-se durante anos. E durante anos, no meio da lama e algumas máquinas, o jardim só teve candeeiros.
Há quase uma década, os trabalhos acabaram. As centenas de candeeiros ficaram rodeadas por um simpático espaço verde com caminhos pelo meio. O jardim ganhou um nome (Parque Urbano Felício Loureiro, um desconhecido dirigente da Junta de Freguesia), mas nas minhas conversas habituais seria sempre o «Jardim dos Candeeiros». Até que um amigo lhe chamou «Jardim dos Bicos».

O Jardim dos Candeeiros é aquilo a que se pode chamar um sucesso. Ao final da tarde e início da noite de qualquer dia da semana, bem como ao sábado e domingo, tem sempre gente. A passear os cães ou os filhos. A correr, andar de bicicleta ou fazer outro qualquer exercício.
Mas o jardim dos candeeiros não serve apenas para correr. Pelo meio, e apesar do sinal de trânsito que proíbe a entrada, há um caminho sem saída por onde entram carros regularmente. Os candeeiros foram sendo partidos e não deve haver casal de Queluz ou arredores que nunca tenha procurado aquele espaço para um lazer mais ousado.
Nos bancos de jardim, mas sobretudo nos carros, são muitos os pares, mais ou menos enrolados. Uns são mais discretos – ou contidos. Outros, como os que hoje às seis da tarde ocupavam um Peugeot, não param, no habitual emaranhado de pernas, posições e movimentos das trocas de fluidos corporais, independentemente das dezenas de pessoas que passam a um metro da viatura.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Dica cultural da semana

Depois da apresentação em Portugal da "Branca de Neve e os Sete Anões", o Ballet Jovem da Ucrânia traz agora «Pinóquio» aos palcos de Sintra, Covilhã e Porto durante este fim-de-semana.
Para quando a carreira na construção civil?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Notícias do dia

Cavaco Silva quer ser o Presidente do «sim» e promete fazer o país «marchar».

Manuel Alegre vende bilhetes a 10 euros para encerramento da campanha e admite o impossível: criar um partido, que tanta falta agora lhe faz nas presidenciais.

Mário Soares explica ao Diário de Notícias a «arte da política»:
- «Não acha que tem um problema quando diz que apoia as medidas do Governo e, por outro lado, diz que é sensível aos protestos? Não é difícil o equilíbrio das duas posições?
- É, mas aí está a arte de um político.
- É possível ao mesmo tempo estar do lado do Governo e de quem protesta?
- Eu não estou a falar de ambiguidade, estou a falar de capacidade.»

A confusão

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Ejaculação precoce

Os sexólogos definem «ejaculação precoce» como «um sério problema no controlo do tempo do orgasmo, que ocorre muito mais cedo que o desejado, produzindo um fim abrupto e insatisfatório». Cerca de 409 mil portugueses sofrem desta dificuldade. Em política, o conceito nunca terá sido aplicado. Menos em Portugal.
Faltam 20 dias para as eleições presidenciais e a campanha oficial ainda não começou. Mas depois da excitação inicial, o fulgor morreu um mês antes da ida às urnas, com a chegada do Natal e do Ano Novo. E a não ser que o parceiro mais forte da relação mude de ideias, dificilmente teremos mais dias «D» – de Debate.
A excitação mediática de candidatos e meios de comunicação trouxe 10 frente-a-frente precoces, sem grande possibilidade de repetição. Numa eleição que normalmente já fornece menos argumentos e motivações do que as legislativas, não surgem ideias novas. Até 22 de Janeiro, o país assistirá a preliminares políticas, com acesos e isolados ataques (sem conteúdo) aos adversários.

terça-feira, janeiro 03, 2006

É o sistema, estúpido!

«Sei que esta candidatura deixa um pouco perturbado o sistema. Não é para usar uma linguagem de Dias da Cunha, mas na política também há um sistema.»
Manuel Alegre, candidato presidencial, e outro idoso com um ar cada vez mais alheado da realidade que justifica tudo com um enigmático «sistema»

Notícia do dia

Cavaco Silva admite: «Estive três meses a cavar milho».

Golos

Para quem tem dúvidas sobre a qualidade dos jogadores do FC Porto, fica o registo: para a Eurosport, os dois melhores golos do ano passado em toda a Europa foram marcados pelo clube de Pinto da Costa. Por Quaresma contra o Rio Ave e Hugo Almeida contra o Inter de Milão. Aqui

domingo, janeiro 01, 2006

Dois zero zero cinco... seis

Se ainda escrevesse sumários na escola, durante meses andaria a enganar-me e riscar um número: «2005». Assim foi com 1991, 1992, 1993... Hoje, não escrevo resumos de hora e meia de seca. Mas mentalmente, andarei meses a acostumar-me à ideia de que o maior número do calendário já virou e diz «2006». Quando me habituar, estarei em 2007.

Bom Ano Novo!