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sexta-feira, abril 28, 2006

Final Destiny

Origem da imagem, aqui
O que vale é que no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira: Scolari diz ‘não’ à selecção inglesa.

Partidos

A pedido de muitas famílias, a música estúpida da semana volta a vir da boca de um tal de Artur Gonçalves – misto de fadista com Quim Barreiros dos anos 70. Depois do fascismo, o alvo são os partidos. «Tira, mete e tira» será o som da próxima semana. Os interessados podem ouvi-lo já no blog de origem: artur-goncalves.blogspot.com.

quinta-feira, abril 27, 2006

Solidariedade

Alguém me explica o curioso hábito nacional de fazer sinais de luzes depois de passar por uma operação stop? Será para avisar o condutor acelera que é melhor abrandar durante dois minutos para voltar a carregar no pedal, a fundo, depois de passar pela Brigada de Trânsito, continuando a infringir a lei e pôr em risco a segurança dos outros? Ou para sugerir ao procurado pela polícia por assassinato da vizinha do 2º esquerdo que deve virar na primeira à direita?

PS. Eu próprio já dei com a minha mão a acender e apagar, involuntariamente, as luzes do carro.

quarta-feira, abril 26, 2006

Du Pinhua

Uma mulher tolerante e feliz, que nunca discute. É assim que familiares e amigos da pessoa mais velha do Mundo caracterizam Du Pinhua, uma (muito) idosa chinesa da localidade de Leshan, província de Sichuanque, que recentemente festejou 120 anos(aqui). Será que ninguém reparou que a senhora já não pertence a este planeta?

terça-feira, abril 25, 2006

«Desculpem-me por vos ter dado boleia.»
Frase do ano, proferida hoje à noite por Carlos Silvino (Bibi para os amigos), falando para os antigos alunos da Casa Pia, numa curiosíssima entrevista à TVI.
Conclusão: nunca mais dou boleia a ninguém.

Frase incorrecta do dia

É tão bom celebrar a liberdade na praia!

sábado, abril 22, 2006

Orgulho vermelho

O Benfica é o único clube do Mundo a participar numa CowParade, garantem os organizadores. Ou seja: uma parada de vacas - com toda a simpatia que sinto pelas mesmas. Descrição do animal, aqui.

Obrigado engenheiro mecânico francês!

Faz hoje 60 anos que um engenheiro mecânico francês inventou o bikini. O nome inspirou-se numa ilha do Pacífico onde se testou a bomba atómica.
A evolução.

quinta-feira, abril 20, 2006

«Portugal não está em crise. Sei disso porque falei com o primeiro-ministro e com o ministro da Economia.»

«Nunca joguei ou gastei dinheiro em casinos. Tenho muitas outras coisas onde gastar.»

Excertos de uma mini-entrevista de Stanley Ho, dono de um dos maiores impérios mundiais de jogo, ao Correio da Manhã. Haverá pessoa mais inteligente?

segunda-feira, abril 17, 2006

Parlamento fantasma

Depois de uma semana de "borga", com deputados fantasma que picam o ponto mas não aparecem (aqui), segunda-feira, um dia depois da Páscoa, e ninguém atende os telefones do Parlamento. «Ligue no horário normal de expediente», pede, às 3 da tarde, a gravação. Mais um dia de folga?

Porcos e cordeiros

15 de Abril de 2006, algures no concelho de Mogadouro
Torneio de Sueca
1º Prémio: um porco (70 a 80 quilos)
2º Prémio: dois cordeiros
3º Prémio: um presunto

sexta-feira, abril 14, 2006

O livro dos recordes

Agora todas as aldeias, associações recreativas e grupos de amigos do nosso Portugal querem arranjar uma razão, por mais idiota que seja, para entrar no livro dos recordes Guinness. Começou com o logotipo humano para o Euro 2004 e foi descambando para a maior murcela do mundo, a maior procissão com velas ou a maior refeição em pratos de plástico servida por anões albinos vindos da lapónia.

Será que estamos assim tão necessitados de afirmação nacional?

quinta-feira, abril 13, 2006

Beijos, abraços e testes

Desde quando é que 13 de Abril é o Dia do Beijo? E o aperto de mão? O abraço? A chapada? Mas já que alguém teve esta (in)feliz ideia, instituída internacionalmente, divirtam-se a saber Como são Realmente os seus Beijos?, em mais um teste para matar o tempo. E antes que perguntem o meu resultado, aqui fica a resposta:


Acho que sou o tipo da caveira. Fiquei deprimido.
Será que o sol se vai manter assim no fim-de-semana?

O complexo mundo do bilhar

Durante uns tempos joguei regularmente bilhar. E gostava, apesar de não ter grande talento. Mas daí até me dopar... Nunca imaginei: oito atletas portugueses da modalidade foram apanhados no ano passado em análises positivas de doping (aqui). Pior, só mesmo o futebol, com 12.
Já pensaram em surpreender a terceira idade nos jogos de malha, sueca ou dominó?

quarta-feira, abril 12, 2006

Pânico, muito pânico

Pânico? Sinceramente, a palavra não me diz grande coisa e, à primeira vista, parece-me coisa de gaja – tipo histeria. Mesmo não sendo um super-homem, nunca pensei no assunto. Além de que pânicos mesmo, só terei um, que nunca revelarei aqui. Mas a Pipoca pediu que os enumerasse, em mais um desafio bloguístico, pelo que vou tentar, nem que seja descobrindo algumas coisas de que apenas tenha medo, receio ou simples vontade de nunca passar por elas.

1. Tenho medo de, à última da hora, perder toda a minha tese devido a um problema informático. Até porque conheço casos em que isso já aconteceu. O pânico do inconsciente funcionamento dos computadores é, aliás, uma das minhas maiores preocupações. Talvez tenha mesmo pânico de um dia ligar o PC e ver que perdi tudo o que tenho guardado. Mas não aprendo a fazer cópias de segurança...

2. Já dei a volta à Europa dentro deles, mas não gosto de comboios. Tentando não ser injusto para com as simpáticas carruagens que todos os dias me levam até Lisboa: não gosto de atravessar as linhas por onde eles andam. Tudo porque uma vez vi um tipo ser atropelado na velha estação de Queluz. Só me lembro da cara do gajo a virar-se e ver a locomotiva aproximar-se, tentando fugir desesperadamente para, rapidamente, desaparecer lá debaixo. Nunca soube se morreu ou ficou muito mal tratado.
Cheguei a ter outras experiências menos simpáticas com comboios, mas a segunda que mais me marcou foi com um cão, que não respondia aos insistente apitos do maquinista. Menos mal, lembro-me de um dia, com o meu avô, em que ajudei, no último segundo, um bêbado a sair da linha em frente à Torre de Belém.

3. Receio fazer uma manchete e ser desmentido categoricamente pelos factos. Estava louco, alienado do mundo: percebi tudo mal, as contas estavam erradas, as fontes mentiram-me e os papéis em que me tinha baseado desapareceram misteriosamente.

4. Detesto falar em público, perante uma plateia, mesmo que mínima. Terei pânico, eventualmente, se o "público" for muito. É das experiências mais terríveis porque já passei.

5. Tenho medo de chegar ao pé de uma pessoa muito doente, à beira da morte, e dizer: "Tudo bem?!". E o pior é que já me aconteceu. Dá vontade de enfiar a cabeça no buraco mais pequeno do mundo.

Como tenho de desafiar alguém para enumerar os seus pânicos, cá vai:
Zé Pedro, colega de blog
Leididi, do Blog do Desassossego
Koto, do Todos os Polacos
Cláudio, do Ventoinha
Ana, do Coisas que Tal

terça-feira, abril 11, 2006

Constatação do dia: quero ser funcionário público

Objectivo predeterminado quando ligo para um serviço da administração pública e me desejam "bom fim-de-semana" às 10 da manhã de terça-feira.

segunda-feira, abril 10, 2006

Cerca de 55 por cento do mulherio tuga tem como maior prazer na vida comprar roupa, garante hoje o jornal Metro.
Digam lá que às vezes não dá vontade de ser machista.

Blog amaldiçoado

Uma vez que não somos amaldiçoados pela crítica (nem elogiados, nem nada: simplesmente não querem saber de nós), o que é sempre um status quo bonito, decidimos amaldiçoar-nos a nós mesmos. Aqui vai:


Este retrato é um dos "menino chorão" pintados por Bragolin. Existem vários outros (e várias imitações) mas este foi o primeiro e, dizem, está assolado por uma poderosa maldição... Só espero que os servidores do blogger não ardam...

PS: Há muita gente, particularmente as velhotas sozinhas, que tem retratos do "menino chorão" em casa, principalmente a versão indicada aqui em baixo. Se a vossa avó tiver um assim não há problema, o amaldiçoado é mesmo o que está em cima. Mas ainda assim, dizem, convêm falar com ele e tratá-lo bem...

Versão corriqueira nos lares portugueses (em princípio inofensiva):

domingo, abril 09, 2006

Pergunta prática do dia

Como se convence um puto, ainda por cima doente, a não ver desenhos animados o dia todo? Estrangular não é solução.

A história do meio frango aplicada ao álcool

Os portugueses bebem 2,8 milhões de litros de bebidas alcoólicas por dia (aqui). Em 2005, cada português com mais de 15 anos bebeu em média 115 litros. Como eu, alguns (poucos) não beberam nenhum e alguém os engoliu por mim.
Desta vez, fui eu que não toquei no frango.

sábado, abril 08, 2006

Os downloads e as multas

Anda a circular em e-mails um certo texto destinado a “abrir os olhos” dos que sacam músicas na Internet. Começa por apresentar um argumentos pseudo-jurídicos que imediatamente identificam o seu autor como não versado na matéria e terminam com uma salganhada de ideias dislexas que têm tão pouco de lógico como de coerente com o início. Qualquer outro assunto e deixaria passar a questão mas este tem para mim dois argumentos que o tornam especial: por um lado é um tema que também me tem assolado e despertado paixões; por outro, esta divulgação em larga escala num país em que a ignorância no que diz respeito a ambas as vertentes (jurídica e informática) do documento pode ter consequências graves para os que o lerem e nele acreditarem.

O que a SPA/IFPI vão fazer não é passar qualquer multa. Esse termo foi criado pelo imaginativo marketing das duas instituições e amplificado pelos media a cobro da sua ignorância habitual. Vai ser enviada uma carta a coagir os cibernautas a pagar um determinado valor para que estes não sejam “processados” (lindo) por distribuírem ilegalmente ficheiros musicais protegidos por direitos de autor.
O jocoso texto afirma que estas “empresas” não estão a agir através de um processo “judicial” porque ficaria muito dispendioso processar individualmente milhares de pessoas, mas sim através de um processo civil, que não tem nenhuma relevância jurídica. Ora a violação de direitos de autor configura um crime público, pelo que terá de existir acusação do ministério público ou, em casos mais raros, uma acusação particular (que pode funcionar em paralelo com a do ministério público, constituindo-se como assistente no processo). Assim, a primeira via terá sempre de ser no penal, e apenas depois (ou em simultâneo, ou em conjunto com o penal mas sempre a par deste) poderá ser movido um processo no cível para apurar o nível de compensação aos queixosos (o que pode acontecer mesmo que no penal seja estabelecido um valor).
Mesmo que assim não fosse, a melhor opção seria sempre o penal, que está muito menos entupido que o cível, em que um processo demora em média dois anos a ser resolvido. A história das cartas é de facto ridícula, até porque pode ser considerada coacção, ocultação de provas e cumplicidade (se o crime é público, não apresentar as provas relativas a este pode fazer incorrer as empresas em problemas). Mas aqui a grande questão é a investigação subsequente por parte da PJ e não essas cartas. Provavelmente estas nunca chegarão a existir: aliás o que já foi feito foi uma queixa-crime na PJ.
Depois fala-se que sem autorização do tribunal ninguém nos pode espiar os computadores, o que em teoria é verdade, mas no parágrafo seguinte recomeça a estupidez, quando a informar “os menos entendidos” (genial) o autor desse texto indica que durante a ligação à Internet apenas o IP é transmitido e que os ISPs não podem divulgar essa informação sem ordem judicial, pelo que, caso surja uma dessas cartas em casa, os destinatários podem processar os ISPs ou mesmo as instituições. Não indo pelo facto de ser ou não transmitida mais informação do que o IP, basta este elemento para na maioria dos casos termos uma informação que pode identificar especificamente um indivíduo ou computador. O que o autor deste texto parece também não ter ainda encasquetado é que esta identificação vai ser feita em sistemas peer-to-peer, onde os fluxos de tráfego são partilhados, pelo que é simples identificar pedidos que se propaguem na rede por determinados ficheiros protegidos (o que apenas poderá ser feito pela polícia e com mandato porque é intercepção de dados) ou descobrir as listagens dos utilizadores que partilham mais ficheiros (o que é perfeitamente legal para qualquer um, visto essas listagens serem públicas). Assim, é relativamente simples obter os dados que identifiquem individualmente uma máquina ou utilizador, ainda que essa identificação não seja directa. E é exactamente dessa forma que a SPA procedeu, entregando listagens de IPs junto com uma queixa na PJ.
Depois, o texto entra num devaneio fantástico sobre o facto de não existir em Portugal nenhuma lei explícita relativa à pirataria informática ou que distinga o consumo próprio da venda.
Ora bem, se estivermos a falar de software ou jogos temos a Lei da Criminalidade Informática, que no seu artigo 9 explicita o seguinte:

“Reprodução ilegítima de programa protegido
1 - Quem, não estando para tanto autorizado, reproduzir, divulgar ou comunicar ao público um programa informático protegido por lei será punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.”


Nós aqui até poderíamos colocar os CDs e os DVDs, visto ser esta a definição de programa:

“Programa informático - um conjunto de instruções capazes, quando inseridas num suporte explorável em máquina, de permitir à máquina que tem por funções o tratamento de informações indicar, executar ou produzir determinada função, tarefa ou resultado;”.

Mas nem vamos por aí. Recorramos antes ao Código dos Direitos de Autor:

ARTIGO 10º Suportes da obra
1 – O direito de autor sobre a obra como coisa incorpórea é independente do direito de propriedade sobre as coisas materiais que sirvam de suporte à sua fixação ou comunicação. 2 – O fabricante e o adquirente dos suportes referidos no número anterior não gozam de quaisquer poderes compreendidos no direito de autor.


É lógico que há limitações a este, como especificado no artigo 75º (Âmbito):

2 — São lícitas, sem o consentimento do autor, as seguintes utilizações da obra:
a) A reprodução, para fins exclusivamente privados, em papel ou suporte similar, realizada através de qualquer tipo de técnica fotográfica ou processo com resultados semelhantes, com excepção das partituras, bem como a reprodução em qualquer meio realizada por pessoa singular para uso privado e sem fins comerciais directos ou indirectos;


e ainda

ARTIGO 81º Outras utilizações
b) Para uso exclusivamente privado, desde que não atinja a exploração normal da obra e não cause prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor, não podendo ser utilizada para quaisquer fins de comunicação pública ou comercialização.


Por causa destas, foi criada internacionalmente regulamentação que introduz taxas compensatórias em determinados suportes (por exemplo CDs e DVDs virgens). Essa legislação foi transposta para o Direito português e também se encontra mencionada neste código:

ARTIGO 82º Compensação devida pela reprodução ou gravação de obras
1 – No preço de venda ao público de todos e quaisquer aparelhos mecânicos, químicos, eléctricos, electrónicos ou outros que permitam a fixação e reprodução das obras e, bem assim, de todos e quaisquer suportes materiais das fixações e reproduções que por qualquer desses meios possam obter-se, incluir-se-á uma quantia destinada a beneficiar os autores, os artistas, intérpretes ou executantes, os editores e os produtores fonógrafos e videográficos.


É simples perceber que o Direito prevê as situações de cópia privada, legisla sobre a pirataria informática e protege os direitos de autor. Sendo a cópia privada permitida, podemos então copiar desenfreadamente o que nos apetece, certo? Errado! Isto porque é simples provar que existe um claro prejuízo à “exploração normal da obra” e aos “interesses legítimos do autor”. Mesmo quando se trata apenas de uma música já estamos a lesar os direitos do autor porque é possível comprar um single. O caso assume ainda proporções mais marcantes quando falamos nas redes P2P, porque existe uma comunicação pública massiva, lesando claramente os interesses dos autores. Os utilizadores que sacam uma música ou um álbum de vez em quando dificilmente poderão ser prejudicados por estas medidas, mas quem tem carradas de ficheiros partilhados no E-Mule ou similar para aumentar os ratios e fazer downloads mais rápidos poderá ter problemas. Tanto mais que, há cerca de um ano, já foram detidos mais de 100 indivíduos que utilizavam o E-Mule em Portugal. Assim, sem alarmismos, há que ter bastante cuidado, começar a pensar em alternativas e não pensar que vamos estar imunes à resposta internacional da indústria. Quem quiser evitar problemas deve evitar utilizar o P2P a descoberto. Existem formas completamente anónimas de o fazer (utilizando um bom proxy anónimo pago. Por exemplo www.findnot.com). Podemos nunca vir a ser atingidos pelas supostas “multas”, mas ninguém nos poderá salvar caso seja feita uma queixa-crime.

quarta-feira, abril 05, 2006

ADEUS!!!

PS. É sempre bom ouvir os comentadores explicarem ao ínfimo pormenor porque é que o Benfica perdeu com o Barcelona – e o Humberto Coelho a dizer que é preciso acariciar e dormir com a bola.

terça-feira, abril 04, 2006

Depois do fim da Feira Popular de Lisboa, a emoção chegou agora a Peniche, depois de um inédito tornado que varreu a cidade. As habitantes das Berlengas riram-se.
A pergunta pode ser ingénua. Estúpida, até. Mas... afinal, o que são purpurinas?

domingo, abril 02, 2006

Serra da Utopia

Há três caminhos para chegar ao topo da serra de Carnaxide. Pela rua sem saída que passa pelo cemitério da Amadora. Pela estrada que acaba no cemitério de Queluz, saltando umas vedações pelo meio. Ou por uma estrada que desconheço em Oeiras, mas que no final tem caminhos rodeados de mato, coelhos e campos de espigas ao nível da cintura. Em qualquer caso, é impossível chegar lá de carro.
E o que existe no topo da serra de Carnaxide? Fisicamente, quase nada: o esqueleto daquilo que um dia será um bairro de luxo e os restos de um moinho com um marco geodésico em cima.
Uma ou duas vezes por ano costumo ir lá acima ouvir o silêncio dos pássaros e subir ao topo do resto do moinho para ver melhor a panorâmica de 360 graus que permite olhar para a serra de Sintra, Arrábida e Monsanto, barra do Tejo, ponte 25 de Abril, Costa da Caparica, Cabo Espichel, e molhos de prédios que compõem a Amadora, Queluz ou Massamá. Quando volto para baixo, fico sempre com a sensação que foi a última vez que vi aquela paisagem.
Descobri a serra de Carnaxide há poucos anos. Numa tarde, como ontem, peguei na bicicleta e fui andando. Em Queluz, atravessei o IC19 pela ponte que um dia caiu no meio do trânsito. Comecei a subir e passado um bocado cheguei ao cemitério. Ultrapassei um portão que havia ao lado e continuei a subir, desta vez por uns caminhos rodeados de arbustos.
De repente, um enorme espaço aberto em obras para fazer dezenas de arruamentos. No meio de alguns tractores e camiões parados por ser fim-de-semana, continuei a andar, até chegar ao topo. E logo naquele dia achei que seria a primeira e última vez que via aquele espaço.
Mas não. As obras continuam (devagar) e as ruas, seguindo as regras do urbanismo moderno, estão delineadas. Vê-se que os esgotos estão enterrados no chão, bem como os pedaços que definem a estrada e os passeios. O esqueleto do bairro está lá e percebe-se que o resto de moinho no topo ficará no meio de uma rotunda. A crise económica terá travado, por agora, o crescimento dos prédios.
Tirando eu, dificilmente alguém vai para ali. Antes, ainda se ouviam os tiros de caçadores a tentar apanhar os coelhos que continuam aos pulos do lado de Oeiras. Hoje, nem isso. E das vezes que fui lá acima, estive quase sempre sozinho. Apenas uma vez levei a “cara-metade” – que nunca percebi se gostou do sítio. Noutro dia, fui com um amigo para tirar fotos - acabámos expulsos por um gajo das obras que não gostou das máquinas ao pescoço.
Não direi que a serra de Carnaxide é única. Conheço alguns lugares parecidos em Sintra, na Arrábida ou Monsanto. Mas por mim, ficava sempre assim: sem prédios, sem carros, sem gente. Se ninguém lá vai, é porque não querem. A vista não está reservada para o sortudo que possa comprar a casa que permitirá ver aquela panorâmica.
As casas que ali vão nascer estarão incluídas na Vila Utopia. Uma urbanização de luxo, com 45 moradias isoladas, projectadas por 18 dos mais reconhecidos e prestigiados arquitectos portugueses, em que a mais barata custa 750 mil euros (aqui). «Um empreendimento topo de gama para um nicho de mercado», num sítio para onde estaria projectado um parque urbano.
Ontem, curiosamente, não fui o único a andar pela serra de Carnaxide. No meio dos buracos e lama das obras para construir ruas, encontrei um casal com um puto de 3 ou 4 anos. De repente, pensei: também eu gostava de levar um filho à serra de Carnaxide e mostrar-lhe a vista de 360 graus em que parece que estamos no topo do Mundo.
Tenho muitas dúvidas de que vá a tempo.